terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Paris

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 





















Capítulo Um

O acidente de Bijlmer
Amsterdã, Holanda. 1996.
O boeing 747-200
da companhia aérea israelita El Al esperava no inicio da pista número um do Aeroporto Amesterdão-Schiphol para decolar. 

O engenheiro de voo espreitou da cabina para dirigir uma ordem ao único passageiro, Yaron Gobi.
- Dirija-se ao jump seat - referia-se ao assento desdobrável junto à porta do avião - e aperte o cinto. Era a sua vez; o operador da torre de controle anunciaria em seguida. 

Voo 2681 - chamou-os pelo seu número de voo - perante o rugido das quatro turbinas do Jumbo, como era conhecido o boeng 747, o seu único passageiro sentiu um arrepio. 
Nunca tinha gostado de voar, e muito menos com a carga que ocupava completamente a fuselagem pela qual era responsável. De acordo com os documentos de frete, o avião levava perfumes e outros produtos de cosmética; ele, no entanto, conhecia a natureza da carga.
Estava nervoso. Abanou o pulso para ver o relógio escondido debaixo do punho, seis da tarde, a cerca de cinco horas aterrissariam em Telavive- última parte do trajeto até as instalações do Instituto Israelita de investigações biológicas, na localidade de Ness Ziona. Seria feita por terra, em caminhões acondicionados para produtos relacionados com a segurança.
O avião iniciou a subida para atingir voo de cruzeiro. Yaron sentia um nó no estômago e náuseas. Tentou acalmar-se. Fechou os olhos e respirou de um modo sereno.
Os seus olhos abriram-se de repente. Uma sacudidela arrancou o do jump seat ao mesmo tempo que uma explosão lhe adormeceu o sentido da audição durante alguns segundos. O avião virou bruscamente para a direita e sacudiu-o para os confins do assento como se estivesse numa montanha russa. A voz do jovem copiloto atravessou a porta fechada: «Mayday! Mayday! Mayday!» Conhecia o significado dessa palavra pronunciada três vezes. Meidei! Meidei! Meidei! Tratava-se do pedido de socorro dos pilotos, derivado da expressão francesa maidez.
Em menos de um minuto, o piloto estabilizou a aeronave, que continuava a ser sacudida pela turbulência. Yaron não hesitou em livrar-se do cinto e em precipitar-se para dentro da cabine.
- O que é que se passa? - Não obteve resposta.
O copiloto, encarregado da comunicação com a torre de controle, explicava ao operador que os motores três e quatro tinham deixado de funcionar e pedia autorização para uma aterragem de emergência.
- Dada a nossa velocidade - esclareceu vamos precisar da pista mais comprida do aeroporto.
Yaron fechou a porta e dirigiu-se para a parte de trás do avião segurando-se aos objetos e às paredes. Espreitou por uma janela. Tinham perdido altura e sobrevoavam os
subúrbios da zona sul de Amesterdã. Deduziu que, se o avião não conseguisse aterrar no aeroporto, iria colidir contra as casas.
- Deus nos ajude - sussurrou.









Trilogia Cavalo de Fogo
1- Paris



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