domingo, 19 de outubro de 2014

Bebê em Tempo de Tempestade

ROMANCE SOBRENATURAL 
Série Especialistas em Segurança Internacional



Keely Walsh-Maddox está grávida de oito meses e se sentindo presa devido à superproteção de Ren. 

Então, quando a irmã médica de Price Teague, Fiona, liga e diz que está em Idaho e precisa de uma carona, Keely aproveita a oportunidade para escapar de sua gaiola de veludo e vai para Grangeville para pegar a mulher.
Ela nunca pretendeu colocar o feto em risco, mas isso é exatamente o que acontece quando as mulheres se encontram sendo perseguidas por mercenários. 
Normalmente, os bandidos que a seguem para sua casa não iriam fazer Keely fugir, ela teria acabado por virar a mesa e matá-los. Mas desta vez, ela está em trabalho de parto prematuro e não quer se meter com eles.
Pelo menos, ela tem uma médica com ela e suas armas de estimação.

Capítulo Um

15 de junho, 08h30, Sanctuary.
Keely Walsh-Maddox entrou na cozinha, no pavilhão principal. Reunidos em torno da mesa do café da manhã no canto estavam Quinn Jones, a esposa dele Lacey e Scotty, o cozinheiro da SSI e um segundo pai para Keely. Os três olharam para cima e sorriram.
— Ei, princesa, — Scotty chamou. — Como você está se sentindo hoje? Eu fiz seu prato favorito de ovos. Está no réchaud. Seu suco de laranja está aqui em cima da mesa.
— Obrigada, Scotty. E a forma como me sinto?! Enlouquecida nesse longo confinamento, nessa prisão. — Ela caminhou até o réchaud e tirou uma travessa contendo queijo de cabra, espinafre e omelete de cogumelos.
— Você esteve fora apenas ontem. — Quinn apontou o copo para ela para dar ênfase. — Você não pode já estar agitadamente louca.
Assim falava outro macho superprotetor.
— Quinn, cale a boca. — Lacey bateu um dedo na boca do marido, em seguida, carinhosamente enxugou uma migalha que tinha apanhado no canto dos lábios. — Eu disse que Ren está sufocando-a. Ele está operando sob o equívoco de que as mulheres grávidas são inválidas.
— Concordo inteiramente. — Keely suspirou, colocou a comida na mesa, e depois deslizou para o banco de alvenaria da copa. — Eu me sinto como um daqueles frufru, aqueles cachorrinhos de latido irritante. Você sabe qual. Aquele cachorrinho que o proprietário leva para o salão de beleza dentro de uma bolsa especial para cães. Tudo que falta é uma coleira e uma guia. Isso é como Ren pensa, que vou me machucar se andar pelo chão. — Ela acenou com um garfo cheio de ovo e queijo. — Sabe o que ele me disse hoje de manhã antes de sair para o posto de guardas florestais fora de Coeur d'Alene?
Lacey sorriu. — Não, o quê?
— Para ficar na cama! — Os três riram. — Não é engraçado. Ele queria me fazer descansar após a árdua jornada para o escritório do obstetra ontem. — Keely bateu na mesa com a mão livre, sacudindo os talheres. — A coisa mais estressante que fiz ontem foi levantar e sentar. Ele mal me deixa caminhar por mim mesma. — Ah não! 






Série Especialistas em Segurança Internacional
1- Olho Da Tempestade
1,5 - Bebê em Tempo de Tempestade

Olho Da Tempestade

ROMANCE SOBRENATURAL 
Série Especialistas em Segurança Internacional




Keely Walsh tem três doutorados e cinco irmãos mais velhos e nunca esteve em uma situação com a qual não pudesse lidar.

Enquanto trabalhava como consultora da Agência de Segurança Nacional ela descobriu informações confidenciais do governo indicando que seu irmão, um agente de segurança particular, está em perigo.
Keely viaja para a perigosa Tríplice Fronteira na América do Sul para avisar ele e seus colegas.
Ela não esperava encontrar um homem que provoca arrepios gelados por sua espinha e incêndios dentro dela.
Ren Maddox, coproprietário da SSI, uma empresa de segurança que trabalha para grandes corporações e governos, está em uma missão de coleta de informações para o governo dos EUA quando uma ruivinha armada com uma Bren Ten e uma atitude de dez metros de altura pipoca no meio da selva argentina com um aviso de perigo iminente.
Ela está cem por cento certa e isso o choca até a medula. O fato de que ela é a irmã caçula de Tweeter Walsh e pode lutar como o mais feroz fuzileiro é irrelevante. Ninguém com a aparência de Keely deveria estar em perigo, nunca.
Ele pretende, uma vez que resolva a situação atual, tornar o trabalho de sua vida proteger a mal-humorada, sexy e marrenta mulherzinha de todos os perigos.
Um macho alfa. Uma mulher determinada e independente. Um relacionamento quente, tumultuado.

Capítulo Um

Rio Iguaçu, Argentina, Tríplice Fronteira
Keely Walsh parou para descansar. Mesmo com a cobertura das sombras da floresta tropical o calor era sufocante. Jogando para trás seu chapéu de abas largas, ela limpou o suor dos olhos, em seguida, tomou um gole de água do cantil que carregava.
Até agora, de acordo com seu GPS portátil, ela viajou dois quilômetros de seu local de pouso. Se suas coordenadas estivessem corretas, e sempre estavam, deveria avistar a vila em menos de um quilômetro. Agora tudo o que podia ver eram as árvores, folhagem rasteira em crescimento, e mais árvores.
Depois que ela pousara o helicóptero em uma pequena clareira elevada, seguiu um caminho tênue que levava para baixo e longe do local de pouso.
Supôs que o caminho tinha sido desobstruído um dia, dois atrás e depois rapidamente cobertos. Ele levava na direção da aldeia. Tinha visto o cultivo de maconha na clareira, por isso fazia sentido os moradores precisarem de um caminho para chegar à sua plantação comercial.
Dando de ombros ela deslizou sua mochila e a deixou tocar o chão. Ajoelhou-se e tirou a camisa de algodão branco que usara no avião, em seguida, colocou-a por cima de seu top.
Estava muito quente e úmido para qualquer roupa mais quente, mas não poderia ter seu irmão enlouquecendo se ele visse as contusões nos ombros e parte superior do tórax. Teria tempo suficiente para explicações mais tarde, depois que estivessem seguros na suíte do hotel que ela tinha reservado no Parque Nacional do Iguaçu antes de assegurar o transporte e suas armas.
Suspirou imaginando quão bom seria estar no ar condicionado após esta caminhada nessa sauna. O hotel tinha uma piscina com um bar próximo. Quase podia sentir o gosto de uma grande Pepsi com gelo enquanto balançava as pernas na água fria.
Deus, ela odiava calor, umidade, insetos e cobras, bichos que tinham na selva em abundância. Apenas por seu irmão favorito, Stuart “Tweeter” Walsh, ela faria isso, além disso, não havia ninguém mais para fazê-lo. Seu pai, Coronel da Marinha, Kennard Walsh, estava em uma missão de treinamento.
A chamada para os seus outros quatro irmãos não tinha produzido a resposta urgente necessária. Os gêmeos, Loren e Paul, estavam em uma missão SEAL e os outros dois, Devin e Andy, também integrantes da Marinha americana, estavam em busca de terroristas nas cavernas do Afeganistão.
No momento em que suas licenças de emergência fossem aprovadas, Tweeter estaria morto. E ela não podia confiar em ninguém além de sua mãe Molly, mas seu pai a mataria se ela envolvesse sua mãe na confusão.
E aqui estava ela, a única pessoa que poderia avisar o irmão sobre a armadilha. Não podia ficar em segurança, em Massachusetts, enquanto Tweeter estava em perigo. Ele a protegeu ao longo dos anos, e ela não poderia fazer menos por ele.
Deixou a bainha da camisa pendurada sobre sua folgada calça cáqui. Deslizou na bainha a faca que comprou de um homem franzino e pequeno chamado Bazon, em Porto Iguaçu, em seguida prendeu o coldre que segurava a Bren Ten que tinha comprado sobre o cinto na parte baixa das costas. Nada como uma Bren para fazer diferença.


Série Especialistas em Segurança Internacional
1- Olho Da Tempestade
1,5 - Bebê em Tempo de Tempestade

A Obsessão de um Rule

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Damian Rule é um homem de negócios ultra sisudo que gosta da sua vida exatamente assim.

Ele usa o cabelo cortado bem curto, exige que os seus negócios sejam bem organizados e ainda insiste que todas as suas mulheres estejam sempre impecavelmente arrumada e conservadora, tanto na fala como na aparência.
Quando ele conhece Angie Ross, vê uma mulher muito quente, bonita e um total desastre.
Com aquelas suas meias arrastão e várias algemas de couro perfurantes sobre ela, é descontroladamente e verdadeiramente inadequada para as suas necessidades a longo prazo. Mas e para o curto prazo? Será que ela se encaixa?

Capitulo Um

Damian Rule estava sentado na recepção do salão de beleza temático do clube desportivo, se perguntando pela centésima vez por que diabos ele continuava a frequentar aquele lugar, que era totalmente inconveniente e totalmente fora do caminho do seu apartamento e escritório, situados no centro. Além disso, o ambiente era totalmente intrusivo com aquela sua iluminação dura e aquele fluxo contínuo de comentários sobre os eventos esportivos que ele não dava à mínima, mas que não paravam de sair dos vários televisores de tela plana, espalhados ao redor do salão.
Quando examinou o salão com aquele seu olhar critico, reconheceu que tantos os funcionários que trabalhavam aqui, como a clientela que frequentavam o estabelecimento, não eram o tipo de pessoas que ele normalmente se misturava, mas como estava desesperado para cortar o cabelo e deste lado da cidade, resolveu fazer aquilo logo de uma vez.
É verdade que a cabeleireira daquele lugar fazia um trabalho muito decente, mas certamente não era algo que ele não poderia troca-la a qualquer momento. À medida que a mulher em questão veio buscá-lo para o seu corte, imediatamente começou a balbuciar sobre nada e a 5 vasculhar a gaveta de cima de sua unidade para dar inicio ao processo.
Damian a bloqueou de imediato e deixou seus olhos vaguearem em torno do salão e observar tudo a partir do reflexo no espelho. Ele não viu o que estava procurando de imediato, mas mesmo assim continuou a observar ao espelho.
O lugar estava ocupado como sempre, com os seus vários cabeleireiros se movimentando ao redor, ou em pé nos seus postos fazendo os tratamentos, ou conversando com os seus clientes habituais, ou ate mesmo na área de lavagem.
Depois de mais alguns minutos de observação paciente a sua diligência foi recompensado com um ligeiro movimento na parte de trás do salão, o qual chamou a sua atenção. Ahhhh... Lá estava ela.


Legado de Silêncio

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Os Coretti da Sicília












Como assistente de um chefe temperamental, Ella deve estar preparada para qualquer eventualidade. 

Por isso, anda sempre com a “Bolsa Santo” … Não se trata de uma elegante peça de grife, e sim da sacola onde guarda todos os objetos que o diabólico produtor de cinema Santo Corretti possa precisar desesperadamente. Mas o coração de Ella não está dentro da “Bolsa Santo”. 
Será que ele conseguirá convencê-la a entregar seu bem mais precioso?

Capítulo Um

Santo acordou num sobressalto, o coração disparado, e estendeu o braço para buscar conforto familiar, mas, em vez de estar na cama com uma amante ao seu lado, dormia sozinho num sofá. 
O que aconteceu ontem à noite? Sua mente traiçoeira não lhe respondeu o que tinha acontecido... deu-lhe pequenas dicas.
Havia uma garrafa vazia de uísque no chão, sobre a qual Santo pulou para chegar ao banheiro, e, quando olhou para baixo, viu que ainda usava o terno do casamento, mas estava sem gravata e com a camisa rasgada e desabotoada. Enfiou a mão no bolso do paletó, lembrando que Ella checara três vezes se as alianças estavam ali antes de ir embora, e antes que ele saísse para ser o padrinho do casamento de seu irmão. As alianças continuavam no seu bolso. 
Santo jogou água no rosto, que estava todo machucado, assim como seu peito. Olhou para o pescoço e fez uma careta, mas algumas mordidas de amor se mostraram a menor de suas preocupações quando os eventos da véspera começaram a voltar a sua mente. Alessandro! 
Santo pegou o telefone para chamar um táxi, mas quem atendeu foi a recepcionista da noite, que, talvez sem saber que não deveria fazer tais questões, perguntou para onde ele queria ir, e Santo de imediato desligou. Olhando pela janela, de seu ponto de vantagem luxuoso, podia ver a imprensa esperando. Algo raro para Santo: não se sentia em condições de enfrentá-los, ou de enfrentar seu irmão, sozinho. 
— Você pode vir me buscar? Apesar da hora, Ella atendera ao telefone, com olhos fechados. Depois de quatro meses trabalhando para Santo Corretti, estava mais que acostumada a ser chamada nos horários mais estranhos, embora ele soasse particularmente terrível, essa manhã. A voz profunda, com o forte sotaque italiano, ainda era linda, mesmo se um pouco rouca. 
Sim; lindo e terrível basicamente resumiam Santo. Abrindo os olhos, ela olhou para o criado-mudo. 
— São 6h — disse Ella. — De domingo. O que teria sido razão suficiente para terminar a chamada e voltar a dormir. Entretanto, a noite inteira, Ella esperara que ele ligasse; tanto que arrumara o cabelo de noite, e separara a roupa que usaria. 
Como o resto da Sicília, Ella assistira ao drama se desenrolar na televisão, na tarde anterior, e vira atualizações nos noticiários por toda a noite. Até mesmo sua mãe, na Austrália, assistindo ao jornal italiano, saberia que o casamento muito esperado do irmão de Santo, Alessandro Corretti, com Alessia Battaglia, fora cancelado no último minuto. Literalmente, no último minuto.






Série Os Coretti da Sicilia
 1- Legado de Silêncio
 2- Convite ao Pecado
 3- Sombra de Culpa
 4- Herança de Desonra 
 5- A Whisper of Disgrace
 6- A Facade to Shatte
 7- A Scandal in the Headlines
 8- A Hunger for the Forbidden
 

Convite ao Pecado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Os Coretti da Sicília 











Taylor Carmichael tem apenas uma coisa em mente: reconstruir sua reputação. 

Até que um encontro regado a champanhe com Luca Corretti é registrado pela lente fotográfica dos paparazzi. 
Ele teve a oportunidade de impedir a ação da imprensa, mas ignorou. 
Bem, desta vez, ela fará as manchetes funcionarem a seu favor: Luca Core e Taylor Carmichael a caminho do altar! 

Capítulo Um

— Zack? Onde você está? É melhor não me abandonar, porque eu não acho que posso fazer isto sem você. A qualquer momento, vou comer carboidratos, então será o fim deste vestido. Quando receber esta mensagem, me ligue. 
— O telefone quase escorregou de sua palma suada, e Taylor segurou-o com força. Aquele era apenas um casamento. Haveria pessoas com quem ela não se importava, e que certamente não se importavam com ela. Isso não deveria deixá-la nervosa. 
Só estava lá porque o produtor de seu último filme insistira. Tentou respirar fundo, mas a roupa não permitia a expansão do seu peito. 
O estilista costurara o vestido com Taylor dentro, então lhe dissera que enviasse uma mensagem de texto quando ela precisasse ir ao banheiro. 
O calor da Sicília queimava suas costas desnudas, e Taylor fez uma careta diante do absurdo da situação. Estava muito quente para que fosse costurada em qualquer coisa, e ela não permitiria que alguém a acompanhasse ao banheiro, o que significava que não poderia comer ou beber. 
Não que comesse muito, de qualquer forma. A disciplina que sua mãe impusera desde cedo nunca a abandonara. Taylor estava acostumada a sentir fome, mas, ultimamente, o desejo de comer deixava-a irritada. Sentia-se a ponto de quebrar a cabeça de alguém, mais especificamente a do membro da família Corretti responsável por seu desconforto atual. 
Ele teria feito aquilo de propósito? Pedira que o estilista se certificasse de que homem algum pudesse remover o vestido dela e arruinar seu grande retorno? Taylor se mantivera longe daquilo por tanto tempo que esquecera como detestava a falsidade, os planos escondidos atrás de beijos no ar e sorrisos forçados. Ao resistir à tentação infantil de roer as unhas, olhou para suas mãos e constatou que elas tremiam. Não ousaria segurar uma taça de champanhe. 
Derramaria o drinque em seu vestido. Ou pior, no vestido de outra mulher; e sabia como isso seria interpretado. Irritada por se importar com o que os outros pensavam, jogou o telefone dentro da bolsa. 
Era patético reagir assim a algo tão trivial. 
Os últimos dois anos haviam lhe ensinado o que importava na vida. Havia pessoas lá fora com problemas sérios, e os seus eram culpa sua, e estavam todos no passado. 
Ela tomara decisões ruins. Confiara nos indivíduos errados, mas era uma mulher diferente agora. Provaria isso. E era disso que se tratava hoje, é claro. Era esperado que ela provasse.






Série Os Coretti da Sicilia
 1- Legado de Silêncio
 2- Convite ao Pecado
 3- Sombra de Culpa
 4- Herança de Desonra 
 5- A Whisper of Disgrace
 6- A Facade to Shatte
 7- A Scandal in the Headlines
 8- A Hunger for the Forbidden
 

Sombra de Culpa

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Os Coretti da Sicília 












Motivada e determinada: como perdoar um Corretti. 

Valentina Ferranti sempre culpou Gio Corretti e seu comportamento inconsequente pela morte do irmão dela. 
Agora, à beira da falência e caluniada pela infame Carmela Corretti, 
Val precisa de ajuda. E a única pessoa a quem pode recorrer é o homem frio e misterioso do passado, cujos olhos, maculados pela culpa e pelo arrependimento, ainda brilham de paixão.

Capítulo Um

Ele deveria estar naquele caixão, e não seu melhor amigo irresponsável. Giacomo Corretti estava de pé na sombra de um pinheiro, observando enquanto o caixão era posto dentro da terra, apenas a alguns metros de onde ele estava efetivamente escondido. 
A bola de gelo alojada na boca de seu estômago estava lentamente se espalhando para todas as extremidades de seu corpo. 
Ele agradeceu isso, mesmo enquanto se castigava por ser covarde. 
O pequeno grupo de pessoas em volta do caixão começou a se mover, as palavras finais do padre pairando no ar quente da primavera com o cheiro de incenso. Não deveria estar quente, percebeu Gio, não deveria ser primavera. 
O mar não deveria brilhar sob um céu azul-celeste. Ele queria que uma tempestade revolvesse a água, que tudo escurecesse, e que trovões e raios atingissem aquele lugar. Que o atingissem e o destruíssem 
Podia ouvir o som do choro desesperado da mãe de Mario enquanto ela se apoiava no marido idoso. Um som que o despedaçava. 
Gio nunca teria sido digno daquelas lágrimas de dor. A percepção era fria, mas não lhe causou sentimento de autopiedade. Em contraste, ao lado deles, com a coluna estoicamente ereta, estava a filha do casal, Valentina. 
O longo cabelo castanho estava preso numa trança, e havia um lenço preto em sua cabeça. 
A saia e blusa preta moldavam o corpo gracioso da garota de 17 anos. Ela não precisou se virar para que Gio se lembrasse de cada linha no rosto bonito. Pele cor de oliva, tão suave como uma pétala de rosa. A curva deleitosa da boca e lábios sensuais. 
Os olhos tinham uma cor extraordinária... eram dourados como âmbar. Olhos de tigresa. Ele podia visualizá-los agora, com zombaria, raiva e medo, toda vez que Valentina pegava seu irmão amado e Gio flertando com o perigo, o que eles tanto amavam. 
Como se a intensidade de seu olhar e de seus pensamentos a tivesse tocado, Valentina Ferranti focou o exato lugar onde Gio estava, os olhos amendoados se estreitando nele. Era tarde demais, ele não podia fugir. Ela o fitou por um longo momento. 
O rosto estava pálido e inchado pelo choro. E havia tanta dor nos olhos sombreados! 
Ele fizera aquilo com ela. Ele lhe causara aquele dano irreparável. Suas palavras descuidadas daquela noite lhe voltaram à mente: 
— Não se preocupe, eu o trarei de volta para os livros antes da meia-noite, como Cinderela... A desolação de Valentina zombou de Gio. E então ela estava andando na sua direção, o rosto contorcido com a fúria da dor. Parou a poucos centímetros de distância. 
Tão perto que ele podia sentir seu cheiro doce e fresco, o que era inapropriado no meio de tanto sofrimento. 
— Você não é bem-vindo aqui, Corretti. — A voz dela estava rouca pelo choro, e o peito de Gio se apertou tanto que ele perguntou-se como estava consciente, quando mal conseguia respirar. 
— Eu... sei.






Série Os Coretti da Sicilia
 1- Legado de Silêncio
 2- Convite ao Pecado
 3- Sombra de Culpa
 4- Herança de Desonra 
 5- A Whisper of Disgrace
 6- A Facade to Shatte
 7- A Scandal in the Headlines
 8- A Hunger for the Forbidden
 

Herança de Desonra

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Os Coretti da Sicília 









Rejeição e vergonha: tudo por causa de uma noite com um Corretti... 

Angelo Corretti tem apenas uma amante: a vingança. Implacável, cruel e sombriamente sexy, ele construiu seu caminho até o topo com um objetivo: destruir os Corretti, a família que o rejeitou cruelmente por sua ilegitimidade. 
Mas, tempos atrás, ele havia conhecido uma menina inocente e pura, que entregou seu coração para Angelo. 
Agora, apesar de todo o seu poder, ele terá que sustentar o olhar de Lucia... E descobrir o fruto de sua revolta.

Capítulo Um

Aquilo era seu. Tudo seu. Quase seu, porque no dia seguinte ele tinha uma reunião para assinar os papéis que transfeririam a posse do Hotel Corretti, em Palermo, das Empresas Corretti para a Corretti Internacional. Angelo Corretti deu um sorriso irônico. De um Corretti para outro. Ou não. 
Lentamente, ele atravessou o saguão do hotel, observando os carregadores de malas o avistarem, arregalando os olhos antes de assumirem uma postura alerta. Uma mulher de meia-idade, à mesa de recepção, fitou-o com ansiedade, claramente esperando para entrar em ação se chamada. 
Angelo não fora formalmente apresentado para os funcionários do hotel, mas não tinha dúvida de que eles sabiam quem ele era. 
Vinha entrando e saindo dos escritórios Corretti por quase uma semana, combinando reuniões com os acionistas majoritários, que não possuíam escolha senão entregar as rédeas do hotel principal, em vista da ausência do diretor-geral deles e do número de ações de Angelo. 
No final, tudo havia sido gloriosamente simples. Deixasse os Corretti sozinhos por um tempo, e eles destruiriam uns aos outros. Não podiam evitar. 
— Senhor? Signor... Corretti? — A recepcionista finalmente aproximou-se, os saltos soando alto no piso de mármore do saguão. Angelo percebeu como ela hesitou ao falar seu nome, porque, é claro, todos conheciam os Corretti ali, e em toda a Sicília. 
Eles eram a família mais poderosa e mais escandalosa do sul da Itália. E ele não era um deles. Exceto que era. Ele fez uma careta quando toda aquela raiva fútil e familiar envolveu-o. Era um deles, mas nunca fora — e nem seria — reconhecido como um, mesmo se todos conhecessem a verdade sobre seu nascimento. 
Mesmo se todos no vilarejo onde ele crescera soubessem que ele era o filho bastardo de Carlo Corretti, e tivessem tornado sua vida um inferno por causa disso. 
Ele virou-se para a recepcionista do hotel, forçando um sorriso. 
— Sim? 
— Há algo que eu possa fazer pelo senhor? — perguntou ela, e Angelo viu a incerteza nos olhos da mulher, o medo de que ele tivesse ido lá para demitir todos. E parte de Angelo ficou tentada a fazer exatamente isso. Todas as pessoas que trabalhavam ali tinham sido leais com a família que ele desprezava e estava determinado a arruinar. Por que não deveria demitir todos, e levar sua própria equipe? 
— Não, obrigado, Natalia. — Ele leu o nome no crachá discreto no uniforme da recepcionista, antes de encontrar-lhe o olhar com um sorriso. — Eu irei para o meu quarto. — Angelo reservara a suíte da cobertura pela noite, pretendendo saborear a estada no melhor quarto do hotel de seu maior inimigo. 
O quarto que ele sabia que era reservado quase exclusivamente para uso de Matteo Corretti, exceto que, desde o escândalo do casamento Corretti/Battaglia cancelado, ninguém sabia onde Matteo estava. 
Ele não usaria a suíte mesmo se pudesse, e a partir do dia seguinte, não poderia. Nenhum Corretti, exceto o próprio Angelo, se hospedaria naquele hotel de novo.






Série Os Coretti da Sicilia
 1- Legado de Silêncio
 2- Convite ao Pecado
 3- Sombra de Culpa
 4- Herança de Desonra 
 5- A Whisper of Disgrace
 6- A Facade to Shatte
 7- A Scandal in the Headlines
 8- A Hunger for the Forbidden
 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Amor Maior que Tudo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 




“Você foi avisada duas vezes. Pare de investigar a morte de Anne Trulane.”

Laurel Armand era uma mulher aparentemente frágil, mas estava determinada a provar que poderia ser uma grande jornalista investigativa.
Por isso, quando soube do assassinato de Anne Trulane, Laurel farejou uma boa pauta, e decidiu apurar os fatos. Matt Bates, seu rival na profissão, a desejava havia muito tempo.
Ao saber que Laurel tinha partido para os pântanos de Nova Orleans a fim de investigar o crime, ele decidiu que chegara a hora de se tornarem parceiros de ofício e também amantes.

Capítulo Um


Tumulto: telefones tocando sem parar; pessoas gritando, murmurando ou resmungando; sentadas ou caminhando.
O ruído metálico de máquinas de escrever soava em ritmos variados, vindo de todas as direções. No ar, o cheiro de café novo, pão fresco, fumaça de tabaco e suor. Um manicômio? 

Vários dos seus ocupantes teriam concordado com aquela descrição da redação do New Orleans Herald, especialmente no limite para conclusão de matérias.
Para a maioria do pessoal, o caos reinante passava despercebido, como respirar, inalar e exalar o ar. Havia épocas em que cada um estava tão envolvido com as próprias crises ou triunfos diários, que mal prestava atenção nas dúzias de outros funcionários apressados ao redor. O trabalho em equipe não era ignorado. 

Na comunidade exclusiva de jornalistas, eram todos unidos por amor ou por pura obsessão aos seus trabalhos.
Embora, cada um se concentrasse e protegesse sofregamente sua própria matéria, fontes e estilos. Um bom repórter prospera sob pressão, em meio à confusão e mantém o instinto farejador. Matthew Bates começara sua carreira em um jornal. Trabalhara em todos os setores, desde a entrega de jornais no Lower East Side em Manhattan, até se firmar na reportagem, como um repórter de destaque.
Nesse meio tempo, serviu café, tirou xerox, redigiu obituários e cobriu exposições de flores. A habilidade para farejar e destrinchar uma boa matéria não fora aprendida no curso de jornalismo. 

Era um dom natural. Os anos de aulas bem planejadas, estudo e prática aperfeiçoaram o estilo e a técnica de um talento que lhe era tão inerente quanto a cor dos olhos.
Aos 30 anos, era despreocupadamente cínico, mas bem humorado em relação às mudanças e reviravoltas da vida. Gostava das pessoas sem alimentar ilusões sobre elas. Entendia e aceitava que os humanos eram ridículos em sua essência. Caso contrário, como poderia trabalhar em uma sala cheia de pessoas loucas, em uma profissão que constantemente expunha e explorava o pior da raça humana?
Após concluir a matéria que estava redigindo, chamou um boy e então se recostou no assento para descansar a mente, pela primeira vez em três horas. 

Um ano atrás deixara Nova York para aceitar um cargo no Herald, querendo, talvez precisando de uma mudança. Era ansiedade, pensou. Estava ansioso por... Alguma coisa.
E Nova Orleans era uma cidade tão difícil e exigente quanto Nova York, com esquinas mais elegantes. Trabalhava no caderno policial e gostava do que fazia. 

Era um mundo impiedoso. Assassinatos e desespero faziam parte dele e não podiam ser ignorados. O homicídio que acabara de cobrir fora insensato e cruel. Fora vida. Fora notícia.
Agora, tentaria expurgar do cérebro a morte da jovem de 18 anos. Objetividade vinha em primeiro lugar, a menos que quisesse tentar uma nova profissão. Contudo, precisou se esforçar para apagar da mente a imagem da menina e seu fim trágico. 

Não possuía a aparência de um repórter experiente e determinado, e sabia disso. O fato de aparentar mais ser um surfista despreocupado do que um jornalista o aborrecia aos 20 anos de idade.
Agora, o divertia. Tinha um físico definido, sutilmente musculoso, mais propício a um jeans do que a um terno, com uma altura que só o fazia se destacar dos demais. Os cabelos loiros escuros caíam em ondas, desde as orelhas até o colarinho da camisa.
O que lhe conferia um ar de um homem tranquilo, que preferia ficar sentado na praia a pegar no batente. Com frequência, as pessoas que lhe davam fontes para notícias falavam livremente com ele, sem notar o homem sob a imagem.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Promessas de Ilusão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

O príncipe Demyan Zaretsky fará o que for necessário para proteger seu país. 

Então, seduzir Chanel Tanner será fácil. E quanto ao fato de que talvez tenha que se casar com ela? Bem, nada mais é do que um infeliz detalhe do dever.
Ainda que Chanel não saiba, a estabilidade financeira de Volyarus está nas mãos dela, por isso Demyan fará de tudo para assegurá-la.
Escondendo sua identidade e suas intenções, ele põe em ação um implacável jogo de conquista que os conduzirá ao êxtase. 

Mas ao descobrir que Chanel é virgem, ele percebe algo novo em si mesmo: uma consciência.
Agora, os planos mudaram drasticamente, pegando de surpresa seu coração endurecido.



Capítulo Um

Demyan colocou os óculos sem grau e de aro preto antes de abrir a porta do laboratório. O acessório havia sido ideia do tio, assim como o cardigã cinza que Demyan usava por cima da camisa sem gravata e por fora da calça. O jeans completava o traje de “nerd de escritório”, que era surpreendentemente confortável. Ele nunca usou calça jeans. 
Desde muito cedo, teve a necessidade de dar o exemplo certo para seu primo mais novo, o príncipe herdeiro de Volyarus. Fizera seu melhor, mas eram homens muito diferentes. Maksim era um tubarão corporativo, mas também era adepto à política. Demyan deixava a política para os diplomatas. 
Por enquanto, porém, suavizaria sua feroz personalidade com roupas e um comportamento que não afugentaria a presa. Bateu superficialmente à porta antes de entrar no laboratório onde Chanel Tanner trabalhava. A sala estava vazia, exceto pela única mulher trabalhando no horário de almoço, como de costume, de acordo com relatório do investigador. Sentada em um computador no canto, Chanel digitava rapidamente enquanto lia um dos muitos livros abertos, espalhados sobre sua desordenada mesa de trabalho. 
— Olá. — Ele suavizou a voz baixa, para não assustá-la. Não precisava se preocupar com isso. Ela simplesmente acenou com a mão na direção dele, sem se virar. 
— Deixe-o no banco ao lado da porta. 
— Deixar o que precisamente? 
— O pacote. Você precisa saber o que está nele? Ninguém mais pergunta isso —murmurou ela enquanto rabiscava alguma coisa. 
— Não tenho um pacote. Tenho uma hora marcada.
Chanel levantou a cabeça, o cabelo vermelho encaracolado agitou-se quando girou na cadeira para encará-lo. 
— O quê? Quem? Você é o Sr. Zaretsky? Ele assentiu, impressionado com a pronúncia perfeita de seu nome. 
— Você só deveria chegar daqui a meia hora. — Chanel ficou de pé, o bolso de seu jaleco prendeu na borda de um livro, derrubando-o no chão. 
— E você deveria se atrasar. Empresários interessados em financiar nossa pesquisa sempre se atrasam. 
— E, ainda assim, estou adiantado. — Ele atravessou a sala e pegou o livro, devolvendo-o para ela. Ao pegá-lo, ela franziu a testa, seu nariz enrugou-se de forma encantadora. 
— Percebi. 
— Demorou, mas percebeu. Suas bochechas ficaram rosadas, quase apagando suas sardas.

Paixão Negada

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Dominic Montoya era sombriamente belo e perigosíssimo de se conhecer. 

Cleo sabia que deveria manter distância dele, contudo não conseguiu se afastar. Dominic tinha informações que poderiam mudar sua vida por completo.
Ainda que relutante, Cleo concorda em acompanhá-lo até sua casa, na tórrida ilha caribenha de San Clemente. Logo se vêem presos a uma complicada rede de conexões familiares, e com uma atração proibida prestes a entrar em erupção…


Capítulo Um

Cleo poderia jurar ter visto aquela mulher antes. Não saberia dizer quando nem onde, talvez fosse apenas uma sensação, fruto de sua imaginação. Mas notou algo familiar ao olhar para ela, algo que se recusava a desaparecer de sua mente. Nervosa, fez que não com a cabeça. 
Certas vezes, Cleo exagerava em seus sentimentos, o que não era nada bom para si mesma. Contudo, sem dúvida, aquela mulher a encarava desde o momento em que ela entrou na fila do caixa, e talvez por isso lhe parecesse tão familiar. Era possível que Cleo se parecesse com algum conhecido da tal mulher. 
Sim, poderia haver alguma explicação perfeitamente simples e inocente. Ela não gostava de ser observada, mas isso não significava que a mulher fosse perigosa. Pagando pelo leite que a fizera ir ao supermercado, Cleo resolveu ignorar o olhar persistente, mas ficou muito assustada quando a mulher se dirigiu a ela, perguntando:
— Você é a srta. Novak, certo? — perguntou a desconhecida, bloqueando o seu passo. — Eu fico muito feliz de encontrá-la... finalmente. Uma amiga sua disse que eu poderia achá-la aqui. 
Cleo franziu a testa. A desconhecida só poderia estar falando de Norah, e isso significava que já tinha estado em seu apartamento. Por que Norah resolvera contar detalhes de sua vida a estranhos? Com tanta coisa acontecendo por aí, imaginava que a amiga seria mais discreta. 
 — Sinto muito — disse Cleo, embora preferisse não dizer nada e sair correndo. — Nós nos conhecemos? 
A mulher sorriu, e Cleo percebeu que era mais velha do que parecia quando vista de longe. Antes, diria que tinha seus 40 e poucos anos, mas de perto denunciava ter mais de 50. Seus fios grisalhos eram uma prova da idade, embora mantivesse um corpo esbelto e pernas esguias. Não era muito alta, pois tinha de erguer a cabeça para encarar Cleo nos olhos. Mas a sua maquiagem fora bem feita, suas roupas eram obviamente caras, e o que lhe faltava de estatura era perfeitamente compensado com presença. 
 — Peço desculpas — respondeu ela com um leve sotaque estrangeiro, dirigindo Cleo para fora da loja pelo simples método de continuar conversando. O ar frio da tarde de outono envolveu as duas, e a mulher tremeu, como se não gostasse da sensação. Ela continuou falando: 
— Eu deveria ter me apresentado. Nós não nos conhecemos, minha querida. O meu nome é Serena Montoya, sou irmã do seu pai. 
De tudo o que a desconhecida poderia ter dito, aquelas palavras eram as menos esperadas, pensou Cleo, incrédula. Por alguns instantes, tudo o que conseguiu fazer foi ficar olhando para ela.

Uma Luz Nas Trevas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Melina, por mais que tentasse, não considerava a possibilidade

de que o interesse de Bay Cameron pudesse ultrapassar os limites da simples piedade. Depois que ela sofreu um acidente, construiu em torno de si uma muralha impenetrável. 
Para Melina, a alegria de viver não tinha mais sentido, ela não existia mais para o mundo. Bay se esforçava para romper aquelas barreiras, mas nada parecia sensibilizá-la. 
Este empenho paciente e carinhoso foi se transformando gradualmente num sentimento mais profundo. Mas por que razão Melina insistia em continuar cega, diante da intensidade daquele amor que nascia como um clarão nas trevas?


Capítulo Um

Lá em cima, uma gaivota soltou seu grito rouco. O vento forte que soprava do oceano Pacífico envolvia os barcos ancorados no porto dos iates da baía de São Francisco. Bem ao longe, ouvia-se o tilintar de um bonde antiquado subindo pelas íngremes ladeiras da Hyde Street. 
Um Lincoln Continental azul-claro, com a parte superior revestida de couro azul-escuro, fez uma baliza perfeita no parque de estacionamento diante do porto. A motorista, uma mulher impressionantemente bela, de cabelos ruivos, com trinta e poucos anos de idade, estacionou o carro exatamente entre as linhas brancas de demarcação e desligou o motor. Ao mesmo tempo que estendeu a mão para abrir a porta, seus olhos verde-esmeralda pousaram na moça sentada em silêncio ao lado dela. 
— Está bastante frio lá fora, Melina. Acho que, provavelmente, seria melhor se você esperasse aqui no carro, enquanto eu vou ver se o seu pai já voltou. 
Melina Lane abriu a boca para protestar. Ela estava cansada de ser tratada o tempo todo como uma inválida. Mas, de repente, compreendeu que Deborah não estava preocupada com o estado de saúde dela, e sim, interessada em poder passar algum tempo sozinha com seu pai. 
— Como você achar melhor, Deborah — concordou ela a contragosto. Os momentos silenciosos que se seguiram à partida de Deborah foram uma prova ainda para os nervos já tensos de Melina. Já era difícil ter de suportar sua própria deficiência, além das restrições impostas pela namorada de seu pai. Seu pai tivera muitas outras, desde que a mãe de Melina morrera, quando tinha sete anos de idade. 
Mas Deborah Mosley não era apenas mais uma namorada. Se não fosse o acidente sofrido por Melina meses antes, Deborah certamente já seria dele. Antes do acidente, Melina sempre achara maravilhoso seu pai ter finalmente encontrado alguém com quem gostaria de se casar.
Deborah Mosley não seria exatamente a madrasta que Melina teria escolhido, apesar de gostar dela, mas isto não tinha muita importância, desde que seu pai se sentisse feliz ao lado dela. Esta era a situação antes do acidente, quando Melina era totalmente independente. Morava sozinha, num apartamento muito pequeno, mas apenas dela. Naquele tempo tinha uma carreira, não muito lucrativa, mas que lhe rendia bastante para pagar seus gastos. 
"Por que isto tinha de acontecer comigo?", perguntou-se silenciosamente. "O que foi que eu fiz para merecer tudo isto? Por que comigo?" Sentiu um nó na garganta, diante da dor desta pergunta sem resposta. Mas havia tempo demais para pensar sobre tudo o que poderia ter acontecido. O estrago estava feito e era irreversível, como todos os especialistas tinham explicado a Melina e ao seu pai. Continuaria incapacitada pelo resto de sua vida e só um milagre poderia modificar o atual estado das coisas. Uma semente de rebelião ganhou vida própria.
Sentiu raiva por estar condenada a ficar eternamente sentada nos carros ou esperando em casa, até que outras pessoas decidissem o que seria melhor para ela.

A Noiva do Demônio

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Dom Diablo tinha olhos de fogo, olhos de demônio! 

Paula queria morrer de paixão nos braços daquele mexicano... Dom Diablo parecia um personagem saído de um sonho... ou pesadelo?
Ele tinha os olhos negros, profundos, faiscantes de poder, como os de uma ave de rapina mirando sua presa. "O destino entregou você a mim, Paula. 
Você irá comigo para o México e, de hoje em diante, nada nem ninguém poderá nos separar. Você é minha, toda minha, eu sou seu dono e senhor!” Paula, fascinada, queria fugir mas ficou ali, imobilizada pelo poder daquele estranho, vindo de tão longe, declarando ter direito sobre ela. 
Quem seria esse homem? Um deus... ou o demônio?


Capítulo Um

O vestido era maravilhoso, como aliás era de se esperar, pois Lucrezia o fizera com o maior carinho para Paula Paget. Suas mãos de fada faziam milagres! O vestido de cor viva ressaltava a suave palidez de Paula, cuja pele tinha um brilho quase transparente. Seu cabelo era brilhante, sedoso e com reflexos dourados, tal qual os últimos raios do sol poente numa tarde de verão. Os olhos, contrastando com o cabelo loiro, eram castanhos e luminosos. Enfim era uma jovem encantadora. Seu tutor a adorava e a protegia, sobretudo dos homens que dela se aproximavam... 
Entretanto, essa noite, havia um rapaz ao seu lado, que insistia em levá-la até o jardim. 
— Decididamente você é a última garota antiquada na face da terra — disse Larry Condamine em tom de brincadeira. – Depois dessa dança eu esperava pelo menos um beijo! Estou falando sério, você tem que demonstrar que beija tão bem quanto dança! Uma moça bonita como você já deve ter nascido sabendo amar, senão não haveria motivo para que a natureza a tivesse dotado de tantas qualidades! Você não é só bonita, Paula, é adorável! Venha, minha querida... 
Ao atravessarem o jardim, Larry começou a se impacientar ao perceber que Paula evitava seus beijos; segurou-a então, tentando abraçá-la. Um raio de luar fazia com que seus olhos parecessem mais ardentes, enquanto ele contemplava o belo rosto da jovem. 
 — Meu Deus, como você é bonita! — exclamou Larry — Acho que eu faria qualquer coisa para conseguir você, mas aquele seu tutor ciumento jamais permitiria que se casasse com um homem que não fosse muito rico ou que não possuísse pelo menos alguns milhões de dólares para gastar com você! É incrível como Marcus Stonehill a mantém distante dos rapazes sérios como eu, por exemplo, enquanto a exibe aos ricaços, àqueles jogadores grã-finos que ele sempre convida para sua casa. Sabe o que dizem por aí? Que ele pretende casá-la com o pretendente que der o lance mais alto! 
Paula sentiu os braços ansiosos do jovem a envolverem. Ouviu então o pio de uma ave noturna que lhe desviou a atenção. Aliás, ela não estava nem um pouco interessada nas palavras de Larry Condamine. Estava a par de tudo o que diziam a respeito de Marcus. Alguma coisa era verdade, mas havia também muita fantasia... Marcus realmente procurava um bom partido para ela, um casamento vantajoso, isto é, um pretendente que tivesse uma fortuna sólida e, não um aventureiro qualquer, que tivesse enriquecido às custas de jogo. Cuidara dela desde que sua mãe morrera. Daisy Paget fora atriz e Paula sabia o quanto Marcus a amara, por isso não se importava em obedecê-lo. Apesar de ele ter se apaixonado loucamente por Daisy, ela se casou com um ator pobre, que arruinou sua saúde em teatros de quinta categoria. 
— Acho melhor você não me beijar, — disse ela a Larry , quando sentiu os lábios mornos e tentadores do rapaz, procurando sua boca — a não ser que você queira ser chicoteado por Marcus. 
Imediatamente Larry se deteve. Lembrou-se dos boatos que corriam a respeito dos pretendentes que se portavam de forma inconveniente: vários haviam sido postos para fora de Stonehill, e a despeito de seu entusiasmo, Larry Condamine não pretendia sofrer nenhum vexame desse gênero...

Horizonte Sem Fim

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


De repente, a vida voltou a se encher de esperança!

“Será que algum dia vamos voltar a nos ver, Douglas?” “Eu vou procurá-la até o fim do mundo, Nicole!” 
Trinta anos depois, Douglas cumpriu sua promessa de garoto. Nicole estava ali à sua frente: uma linda mulher, mas desiludida com a vida, os homens, o amor... 
Douglas também era um homem amargurado pelo fracasso de seu casamento. Agora o destino lhes a chance de reviverem a antiga afeição. Nicole e Douglas tinham que aproveitar esse momento e eles queriam! 
No entanto, tudo e todos pareciam negar-lhes o direito de serem felizes...


Capítulo Um

O som de risadas vindas da sala ao lado interromperam a concentração de Nicole Pearson, que tentou, em vão, ignorar o barulho perturbador. O intervalo para o café aumentou a intensidade das vozes e das gargalhadas. 
— Droga! — resmungou ela, batendo com a ponta dos dedos na escrivaninha, sem conseguir retomar o fio dos seus pensamentos. 
Precisava terminar o relatório com a explicação do sistema de informação computadorizada que seu departamento e, em mais ampla escala, o setor de sistemas iria impIantar no final do verão. Levantando-se, Nicole foi fechar a porta, numa tentativa de se isolar e não se distrair com a agitação de seus funcionários. A expressão sorridente de sua secretária, sempre tão formal e severa, fez com que ela mudasse de ideia, curiosa. 
— O que é tão engraçado assim, Dorothy. 
— Oh! Não é nada... eu... 
— Então estão fazendo esse barulho enorme a troco de nada? — replicou Nicole, com um olhar frio. Seus olhos azuis, geralmente cheios de calor humano, eram o traço marcante da fisionomia séria, de traços delicados. Entretanto, ela não estava se sentindo nem um pouco amigável àquela manhã. Nicole completara trinta e sete anos e, ultimamente, lhe parecia ter o dobro dessa idade.
Sua funcionária mais reçente, uma garota de vinte anos, aproximou-se dela com o olhar excitado. 
— Oh! Sra. Pearson! É tão romântico... pelo menos eu acho, pois os outros só criticaram e deram risada! 
— Afinal, o que é tão romântico, Debbie? 
— O anúncio do jornal! Eu fiquei emocionada! — respondeu a jovem, voltando para sua máquina de escrever com um sorriso cheio de enlevo. 
— Meus caros amigos, o que aconteceu com vocês hoje? Nós temos uma data marcada para entregar nosso trabalho e esse dia não está longe! Se continuarem com essas brincadeiras, nos veremos em apuros! Herb, o que aconteceu? 
— Ora! Um vaqueiro bronco colocou um anúncio no jornal procurando uma esposa, imagine! Com certeza, o pobre coitado ficou muito tempo isolado nas montanhas sem ver uma única mulher e está meio abobado! Bastava ir até qualquer cidade grande ou até mesmo vir até Santa Fé e procurar um bar como o Statin, que encontraria dúzias de garotas! Elas estão por toda parte e dispostas a tudo, até a casar-se, não, Debbie? 

No Silêncio da Noite

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 


Que doce sensação, sentir o corpo dele apertando o seu, 

sentir o gosto de sua boca quente e úmida machucando seus lábios sedentos de amor! Polly pensava que iria enlouquecer de desejo nos braços de Geoffrey, mas de repente ele a repeliu! 
"Você esteve à espera disto durante todos estes dias, não é, Polly? Você é dessas garotas que não podem passar sem um homem!" 
Por que Geoffrey havia lhe dito estas horríveis e inesperadas palavras? Por que, em lugar de amor, havia desprezo nos olhos dele? Só podia ser intriga, intriga de outra mulher! 


Capítulo Um 

— Está atrasada, Srta. Davies! Outra vez! — falou a Srta. Watkinson, aborrecida. 
— Qual é a desculpa de hoje? A Srta. Watkinson era a chefe das secretárias no Hospital Geral de Barnslow. Corria o boato de que ela trabalhava lá há mais de trinta e cinco anos e que tinha chegado àquele posto não por merecimento, mas por antiguidade. 
— Sinto muito, Srta. Watkinson. — Polly desculpou-se, com um sorriso desapontado, mas deparou com um rosto muito sério. 
— Não sente nada, mas, se eu estivesse em seu lugar, não continuaria com este péssimo hábito. O que aconteceu? Havia vacas na estrada? Ou ficaram presos atrás de um trator? Polly enrubesceu. 
— Estas coisas acontecem quando a gente mora no campo — falou, tímida. 
— Então já deveria contar com elas. Saia de casa dez minutos antes — respondeu a Srta. Watkinson sem pestanejar, enquanto batucava com o lápis na mesa. 
— Tem razão — concordou Polly com humildade. — Eu tento deixar tudo pronto à noite, mas sempre alguém esquece alguma coisa. Hoje foi meu irmão que não conseguia achar o tênis de basquete, e na sexta passada minha irmã perdeu o estojo com todos os lápis. Realmente, sinto muito, Srta. Watkinson. 
Desta vez a Srta. Watkinson deve ter-se convencido, pois sorriu levemente. 
— Então, não permita que aconteça mais. Agora é sério, pois do contrário você vai se ver em sérios apuros. 
Ao ouvir estas palavras assustadoras, Polly estremeceu. Adorava seu trabalho e o ambiente no hospital, e esperava que, depois de seis meses como secretária substituta, fosse efetivada junto a um dos médicos. 
— Eu garanto, Srta. Watkinson — exclamou, assustada —, que isto não acontecerá mais. Gosto tanto deste emprego e detestaria trabalhar em qualquer outro lugar! 
A Srta. Watkinson olhou para ela, muito espantada. 
— Eu não falei em despedir você. Você estava pensando... Coitadinha da minha Polly... 
Se já a estava chamando pelo nome de batismo, as coisas estavam melhorando, pensou Polly... 
— Seu trabalho é excelente — continuou a velha senhora —, mas precisa perder esta mania de chegar sempre atrasada. Tenho certeza de que vai arranjar encrenca com o Dr. Mortimer. Ele faz muita questão de pontualidade. 
— Dr. Mortimer? — exclamou Polly, intrigada. — Mas é Ellen Hancock quem trabalha para ele. Não sabia que ia entrar de férias! 
— Ela teve que ser internada na seção de Obstetrícia. Está com toxinas no sangue. 
— Toxinas? Mas isto é sério, por causa da gravidez! — Como boa filha de médico, Polly compreendia a gravidade do estado da amiga. — Ela estava tão contente esperando esta criança!

Sem Tempo Para Amar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Morgana tentava esquecer mais uma desilusão, 

quando o destino lhe apresentou aquele homem que chegava falando de amor! Morgana sabia que seu futuro era sombrio. 
Magoada com o noivado desfeito, mal podia crer naquela possibilidade de trabalhar como enfermeira em Juamasa, no arquipélago das Canárias. Talvez ali, sob o calor dos trópicos, seus dias se tornassem menos amargos. 
Mas a presença instigante de Filipe passou a perturbar ainda mais a sua vida já angustiada. 
Morgana aprendera a amar aquela ilha e havia condições de ficar por lá definitivamente, aceitando o convite do diretor do hospital local. Suportaria, porém, aceitar o casamento de Filipe com Celestina? Ou teria que lutar para não sofrer mais uma desilusão?!


Capítulo Um

A chuva viera mansamente e a garoa, que agora caía, tornava ainda mais fria e triste a paisagem, que, mesmo com sol, vista da janela, nunca fora bonita. Neli desviou os olhos daquela desolação, pensando no límpido e azul céu de Juamasa, onde as cúpulas e brancas paredes da arquitetura portuguesa brilhavam à dourada luz do Sol.
Antigamente, mesmo os lindos edifícios patinados pelo tempo lhe eram indiferentes. Agora, eram seu lar, e a Inglaterra, onde nascera, lhe parecia estranha. 
— Esse imprevisível clima! — pensou alto, e a jovem enfermeira, que eficientemente trocava sua roupa de cama, olhou-a. 
— Evidentemente a senhora não se considera mais inglesa, srta. Broughton! — Jenny Marsden endireitou o corpo, alisando o imaculado avental e disse: 
— Às vezes tenho inveja de sua adorável ilha ensolarada!
Antes que Neli pudesse replicar, outra enfermeira apareceu no vão da porta. Para qualquer um que conhecesse o St. Christopher, o complicado véu branco, o uniforme azul-marinho e o alvo avental indicavam uma enfermeira categorizada; mas para Neli Broughton, foi algo mais — despertara-lhe um súbito interesse, sem aparente explicação. A moça não era tão bonita quanto a moreninha Jenny Marsden — ou seria? 
Talvez houvesse alguma coisa além da mera beleza. Suas feições, pálidas como as de uma convalescente, tinham o encanto de um pequeno duende. Neli imaginou-a vestida, não com as austeras roupas profissionais, mas com um rico vestido de linhas medievais, que lhe davam o estranho encanto de uma feitiçeira. 
— Assim que terminar, enfermeira, a irmã quer vê-la no escritório. Sua voz era suave, mas sem saber por que, Neli sentiu-se preocupada. 
— Está bem, enfermeira, está quase pronto - replicou imediatamente Jenny. 
A enfermeira de lindos olhos castanhos sorriu para a outra e, incluindo a paciente nesse sorriso, cumprimentou a ambas com uma ligeira inclinação de cabeça e saiu, tão silenciosamente quanto havia entrado. 
— Quem era ela? — Neli surpreendeu-se fixando a porta como se esperasse vê-la novamente aparecer. 
— Enfermeira Carol — respondeu Jenny apressada, e Neli pensou se seria imaginação ou a moça assumira uma atitude defensiva. 
— Há algo nela .. — disse um tanto confusa com o que sentia e não conseguia traduzir em palavras — ... como se fosse um sorriso num rosto morto...