domingo, 2 de agosto de 2015

Erros do Passado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Ele tentou se afastar, mas tudo o que mais deseja é tê-la novamente.

Com um temperamento tão selvagem quanto a paisagem do Wyoming, Trent Sinclair não é conhecido por ser um homem indulgente. E ele certamente nunca perdoou Bryn Matthews por suas mentiras. Quando ela alegou estar grávida do irmão dele, seis anos atrás, Trent e toda a família viraram as costas para ela. Acreditaram que tudo não passava de um golpe. Agora, seu irmão se fora, e Bryn retornara. Acompanhada por um menino cujo semblante denunciava ter o sangue dos Sinclair. Ao revê-la, Trent não consegue resistir à paixão que ardia em seu peito. Mas teria que se redimir de seu julgamento precipitado caso quisesse reparar os erros que cometera no passado e manter ao seu lado a mulher com quem sempre sonhara.

Capítulo Um

Meia dúzia de anos. Com apenas um olhar, aqueles olhos fabulosos o faziam se comportar como um adolescente.
Trent sentiu o coração bater com força. Santo Deus, Bryn.
Recuperou a compostura e pigarreou, fingindo ignorar a mulher ao lado da cama do pai.
A presença dela o fez suar. Um misto de desejo, aversão e ira o impossibilitou de se comportar com naturalidade. Sobretudo, por não saber se a ira era dirigida contra si mesmo ou não.
O pai, Mac, observou-os com ávida curiosidade. Depois, dirigiu ao filho um olhar perspicaz e calculista.
— Não vai dizer nada a Bryn?
Trent atirou para o lado a toalha com a qual estava secando o cabelo ao entrar no quarto. Cruzou os braços, descruzou-os e meteu as mãos nos bolsos de trás da calça. Voltou-se para a silenciosa mulher que o esperava com uma expressão impassível.
— Olá, Bryn. Há quanto tempo...
A insolência do tom de voz dele a deixou visivelmente tensa, mas Bryn logo se recuperou. Os olhos dela eram claros como as manhãs de Wyoming.
— Trent. — Ela inclinou a cabeça com um movimento nervoso.
Pela primeira vez em semanas, Trent notou expectativa no rosto do pai que, embora pálido e fraco, disse com uma voz forte:
— A Bryn veio para me fazer companhia durante um mês. Ela não irá me incomodar como aquelas outras chatas. Não suporto que uma desconhecida ponha as mãos em mim... — A voz dele sumiu ao pronunciar as últimas palavras.
Trent, preocupado, franziu a testa.
— Achei que você havia dito que já não precisava mais de enfermeira. E o médico concordou com você.
Mac resmungou.
— E é verdade. Um homem não pode convidar uma velha amiga sem que o interroguem? Que eu saiba, esta propriedade ainda é minha.
Trent disfarçou um breve e despreocupado sorriso. O pai dele costumava ser mal-humorado, mas ultimamente se transformara num Átila. Três enfermeiras tinham se demitido, e Mac despedira outras duas. Fisicamente, o patriarca Sinclair estava se recuperando, mas ainda se encontrava mentalmente frágil.
Foi reconfortante para Trent ver o pai tão irascível como de costume, apesar dos indícios de cansaço no rosto. O ataque cardíaco que sofrera dois meses antes, provocado pela morte do filho mais novo por causa de uma overdose de heroína, custara à família quase duas vidas.
Bryn Matthews disse:
— Fiquei muito contente de o Mac ter ligado para me pedir que viesse. Estava com saudades de todos.
As costas de Trent ficaram tensas. Havia ironia naquelas palavras amáveis?
Forçou-se a olhar para ela. Quando Bryn tinha 18 anos, a beleza dela o tocara profundamente. Mas, naquela altura, ele era um jovem ambicioso de 23 anos sem tempo para pensar em casamento.
Ela amadurecera, transformando-se numa mulher encantadora. A pele parecia de marfim banhado pelo sol. Uma brilhante cabeleira negra enfeitava os delicados traços do rosto dela enquanto uns olhos quase violeta o observavam com cautela. Não parecia surpresa em vê-lo, mas ele estava. O coração dele batia com força, e Trent temia que ela percebesse isso no olhar dele.
Bryn vestia uma roupa muito formal: um terno escuro e uma blusa branca por baixo. Tinha uma cintura estreita e o quadril generoso e redondo. O corte do casaco disfarçava-lhe o peito, mas a imaginação dele não poupou os detalhes.
Entretanto, a amargura o invadiu. Bryn ia causar problemas. Trent sabia disso. E, naquele momento, só conseguia pensar no quanto desejava dormir com ela.
Cerrou os dentes e, baixando a voz, disse:
— Venha até o corredor um momento; quero falar contigo.
Bryn o seguiu e, no corredor, virou-se para ele. Estavam muito perto um do outro, e Trent pôde sentir aquele aroma floral que lhe era tão familiar. Um aroma delicado, como ela. A cabeça de Bryn mal chegava ao queixo dele.
Trent ignorou a excitação sexual que lhe corria pelas veias.
— Que diabos está fazendo aqui?

A Mulher Ideal

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Alexa Randall encontrou duas surpresinhas enquanto limpava o jato particular de Seth Jansen: os filhos dele! 


O bilionário precisa de uma babá temporária e Alexa é perfeita para o cargo. Ela quer ganhar a confiança do poderoso empresário. Por isso, aceita cuidar dos bebês durante uma viagem à deslumbrante ilha de St. Augustine. Entretanto, ficar cercada de luxo reaviva memórias da vida e dos sonhos que outrora tivera. 
O desejo que sentia por Seth era simplesmente arrebatador, e as noites que passaram juntos, inesquecíveis. Ele podia ser o homem de sua vida. Mas Alexa teme não ser a mulher ideal para ele...

Capítulo Um

Desde que criara a própria empresa de limpeza de aviões particulares, Alexa Randall passava a vida encontrando objetos que as pessoas deixavam esquecidos. E havia de tudo. Na maioria das vezes, eram coisas como um smartphone, um tablet, uma pasta ou um relógio... Tinha sempre o cuidado de fazer as coisas chegarem aos respectivos donos. Mas também havia encontrado coisas mais comprometedoras, como calcinhas, cuecas e até um ou outro brinquedo erótico. Ela recolhia estas peças com luvas de borracha e as jogava no lixo.
No entanto, o achado daquele dia era um marco na história da A-1 Serviços de Limpeza de Aviões Particulares. Nunca antes haviam deixado um bebê a bordo. Muito menos dois.
Ao vê-los, deixou cair no chão o balde em que levava os produtos de limpeza. Aquele golpe seco sobressaltou os pequenos, que dormiam até aquele momento. Sim, gêmeos, com o cabelinho louro e encaracolado e bochechas de querubins. As crianças deviam ter mais ou menos um ano, e, a julgar pela roupinha azul e rosa que vestiam, deviam ser menino e menina.
Estavam sentados em cadeirinhas de bebê sobre um sofá de couro numa lateral do avião particular de Seth Jansen, o dono da Aviões Particulares Jansen. O mesmo que tinha se tornado milionário ao inventar um mecanismo de segurança para prevenir atentados terroristas nas decolagens e nas aterrissagens.
Se Alexa conseguisse acrescentá-lo à sua carteira de clientes, a pequena empresa de limpeza levantaria voo, mas, para isso, tinha de conseguir impressioná-lo com o seu trabalho.
Os meninos abriram os olhinhos e se mexeram um pouco, mas após alguns segundos voltaram a adormecer. Alexa fixou-se num papel que estava preso sob o vestidinho da menina com um alfinete. Inclinou-se para a frente e semicerrou os olhos para ler.
Seth, você vive dizendo que gostaria de passar mais tempo com os gêmeos. Esta é a sua oportunidade. Desculpe por não ter te avisado com antecedência, mas um amigo me surpreendeu me convidando para passar duas semanas num SPA. Espero que você se divirta no papel de pai com a Olivia e o Owen.
Beijos e abraços, Pippa.

Pippa? Alexa se ergueu, espantada. Pippa Jansen, a ex de Seth Jansen? Aquilo era surreal. Alexa meteu as mãos nos bolsos da calça azul-escura que, juntamente com uma camisa polo azul com o logotipo da empresa, era o uniforme da A-1.
Que mulher assinaria um bilhete com beijos e abraços para um homem do qual tinha se divorciado e que, pelo que dava a entender, não se preocupava nem um pouco com os filhos?



A Armadilha

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



O céu está azul, e a luz do sol provoca reflexos dourados no pequeno lago de água límpida onde Michael e Ginger, nus, se abraçam, prontos para fazer amor. 


Seus corpos se unem, e ambos têm a sensação de que encontraram o que lhes faltava para serem felizes.
Porém, quando retornam à mansão de Ginger, Michael não consegue deixar de pensar que caiu numa cilada. 
Foram tantas as coincidências que o levaram a se aproximar de Ginger que não pode descartar a idéia de que querem vê-lo casado com ela.

Capítulo Um

Ginger Bellwood apoiou uma das mãos no corrimão da imensa escadaria e parou, pensativa: “Será que consigo sair sem que Tilly me veja”?
Baixou o olhar e observou por um instante a suntuosa sala impecavelmente limpa e arrumada. Como antiga governanta de Bellwood-Ridge, Tilly sempre fora para Ginger quase que uma verdadeira mãe.
E agora, mais que nunca, a boa senhora vigiava as maneiras de Ginger, apesar dos vinte e nove anos de sua protegida. Afinal, há seis meses a moça se tornara a única herdeira da fortuna dos Bellwood-Lynch.
Tilly com certeza não aprovaria a calça esporte de cor creme e a camiseta de algodão em verde-pálido que Ginger vestira para comparecer à reunião. Pois, ainda que o compromisso fosse com o próprio padrinho, tratava-se de uma ocasião importante.
Não gostava de contrariá-la, mas naquela manhã, quando seus sonhos estavam a ponto de se tornar realidade, Ginger sentia-se como uma verdadeira criança, ignorando as responsabilidades, que muitas vezes pareciam tão opressivas.
Com o canto dos olhos espiou a mão que mantinha no corrimão e, percorrendo o olhar pelo caminho sinuoso que se formava à sua frente, achou que a tentação era demais para resistir.
Sem hesitar, montou na larga e lustrosa madeira, de fino acabamento, e deslizou gostosamente, com um sorriso de júbilo nos lábios, como fizera por tantas vezes em seu tempo de criança.
Naquele momento Tilly adentrou o hall. Ao ver Ginger, que caía desajeitadamente no chão, exclamou com as duas mãos nos quadris:
— Acho que deve haver uma boa razão para essa alegria toda!
Ginger levantou-se de um salto e retrucou com um sorriso entusiasmado:
— E há. O padrinho vai me vender as terras, desde que o município financie as obras. E o contrato já está pronto para ser assinado.
— Ah! — Tilly exclamou feliz. — Você bem que merecia, depois de todo o trabalho que teve convencendo os vereadores e o juiz da necessidade da construção de um centro de recreação para esta cidade. — Depois de uma pausa, pensativa, concluiu: — Sabe, metade do povo não acreditava que você conseguiria, e a outra metade torcia tremendamente para que você falhasse.
— Eu sei disso — Ginger concordou e calou-se, atenta às lembranças. Tinha sido difícil mostrar aos fazendeiros da região, onde sua família era pioneira, que precisavam planejar o progresso que o aumento de população exigia.
— Você fez um grande trabalho — Tilly murmurou.
— Às vezes fico pensando se eu mesma não deveria ter financiado a obra com meus próprios recursos.
Tilly balançou a cabeça, num gesto de total discordância.
— Não, Ginger. Você sabe como o povo daqui é orgulhoso. Eles gostam de conseguir com esforço as obras que beneficiem a cidade e não por intermédio de doações. Além do mais, embora gostem de você e do seu padrinho, o juiz, ainda não esqueceram as atitudes de Lyle.
O rosto de Ginger assumiu uma expressão amarga, que a governanta bem conhecia.
— É verdade. Meu pai foi o tipo de homem que parecia não saber o significado da palavra humanidade. Na infância, costumava me perguntar se no coração de Lyle havia algum sentimento de amor ao próximo.
Tilly tomou-a pelo braço e as duas se encaminharam para a cozinha.
— Nunca poderei esquecer a forma como ele a tratava — resmungou no caminho.
Ginger balançou a cabeça.
— Nem eu. Era como se eu fosse um bibelô. A pequena princesa, pronta para ser oferecida ao primeiro pretendente capaz de continuar a dinastia — ela comentou com ironia

Corsário Irresistível

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Laura Connell se debate, empurra o peito de Garret O’Keefe, mas as reações de seu corpo a traem. 


A razão lhe diz para afastar-se dali e esquecer que um dia conheceu esse homem. Porém, seus instintos imploram para que ele a abrace e a ame com paixão.
Milionário, excêntrico, Garret age como um pirata, tomando tudo que deseja e descartando o que já não o satisfaz. Laura sempre soube disso, mas não foi capaz de resistir a seu charme e sedução. 
E agora, grávida e apaixonada, teme o momento de vê-lo partir.

Capítulo Um

Os problemas eram sérios. Na pressa de se afastar de Miami, ele avançava rapidamente pelo mar. Agora, como recompensa, enfrentava uma inesperada tempestade que ameaçava destruir seu barco. O pequeno Thetis seguia descontrolado, impelido pela força do vendaval. Um sentimento sombrio e opressivo instalou-se em seu peito e, em meio à aflição, ele lutava para impedir que o barco naufragasse. Gostaria de ser capaz de desabafar, gritando, blasfemando ou mesmo rezando. Mas aquele momento exigia muito trabalho e concentração.
Não sabia nem sequer onde estava; havia muito tempo não checava a bússola ou o mapa. Apenas sabia que estava em algum ponto entre as ilhas Bahamas e Abaco. Mas isso era muito vago e pouco animador. Imprevistos desagradáveis, como recifes e bancos de areia, poderiam com facilidade surpreender um marinheiro ignorante ou desavisado. Como ele, o chamado Homem de Ouro com o toque de Midas, se safaria daquela situação?
Não devia ter se lançado com tanta pressa ao mar. No entanto, esta recomendação, agora, de nada lhe servia. O excesso sempre fora seu grande problema. Trabalhava demais e também se divertia demais e, havia alguns dias, quando percebera que estava cansado das salas de reuniões e das alcovas, embarcara no Thetis em Miami e navegara sem parar para se ver longe de tudo aquilo.
Quanta ingenuidade! E não foram poucas as vezes que o advertiram de que teria de pagar pela sua falta de sensatez! Sempre dera boas gargalhadas desses avisos, agora, porém, nem mesmo sorria. Perguntava-se se já havia enfrentado outras tempestades como aquela. Era muito provável que sim, mas nunca num barco tão pequeno.
De repente, uma gigantesca onda surgiu a sua frente como uma montanha negra, e o Thetis, valentemente, ergueu-se tentando escalá-la até a crista. Mas não era um grande adversário, e seu porte o deixava em desvantagem. Impelido pela força descomunal, o barco rodopiou diversas vezes para, então, se deixar cair.
Ele sentiu o estômago revirar e praguejou. Mas suas palavras foram abafadas pelo barulho do vento. Sem equilíbrio, foi lançado sobre o leme, e o forte impacto contra a madeira maciça o fez gritar de dor.
Antes que pudesse se recuperar, uma nova onda atingiu o barco, deixando-o completamente sem controle. Ele tentou, em vão, segurar o leme que, rodopiando desgovernado, acabou por machucar-lhe a mão. Sem que pudesse se segurar, foi arremessado sobre o chão e uma violenta pancada atingiu-lhe a espinha. Então, ouviu um barulho que o deixou gelado: estava sobre um banco de areia!
— Não! — ele gritou, tentando alcançar o leme outra vez. Mas era muito tarde. O barco fora duramente atingido e se encontrava avariado.
A intensidade da colisão o lançou ao mar junto com todos os objetos que não estavam presos à embarcação. Assim que caiu na água, sentiu que o colete salva-vidas, que nem mesmo tivera tempo de fechar, escorregava de seu corpo. O ranger torturante do navio que se partia juntou-se ao som assustador da tempestade. Tudo o que podia fazer era se afastar o mais rápido possível da área e, se não o fizesse, seria morto pelos destroços que se agitavam incertos pelo mar.
Ele nadou usando um braço apenas, enquanto com o outro segurava o colete, batendo os pés com fúria, tentando em meio ao pânico encontrar uma saída. Lutava para não engolir a água salgada e escapar às enormes ondas que pareciam dispostas a tragá-lo.
Felizmente não estava em águas geladas, mas isso era quase nada diante da confusão em que se metera. Não conseguia divisar nenhum sinal de terra ou de outro barco. Chovia torrencialmente e as ondas eram muito altas. Em poucos segundos perdeu o Thetis de vista. Jamais acreditaria que pudesse afundar tão rápido.
Então, era assim? Seria dessa forma que tudo iria acabar?

Ímpeto de Amar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Robson não consegue se livrar da idéia de que uma armadilha o aproximou de Angélica. 


Mesmo assim, não é capaz de conter o intenso desejo que ela lhe desperta; o impulso de tê-la nos braços e amá-la é a força que o move.
Trêmula, Angélica se entrega às carícias de Robson. Em tão pouco tempo esse executivo conquistou seu coração, mas em breve ele voltará para Nova York e nem se lembrará que a deixou sozinha nos pântanos da Flórida...

Capítulo Um

Robson Emery, jovem publicitário considerado um dos melhores do ramo, entregou para sua assistente a carta do advogado de seu tio e guardou o bilhete a ele endereçado no bolso do paletó.
— Jacaré domesticado come o quê? Ração de gato? — Robson perguntou.
Olívia, a assistente de Robson, folheou a cópia do testamento e sorriu.
Antes de lançar o comercial de ração para gatos e se tornar a maior estrela da agência Lockey, Stearnes & Cordell, Robson teria retribuído o sorriso. Agora os sócios da agência anunciariam o escolhido, ou ele ou Mike, seu concorrente, para a vice-presidência, dentro de vinte e quatro horas. Ele seria o escolhido com certeza.
— Olívia, você não é a única pessoa que tem pesadelos com gato. Ainda imagino a cena: um gato pula do décimo andar, com as pernas esticadas, cai ileso na calçada e corre para uma tigela de comida.
Robson exigira o máximo de Olívia, da equipe de filmagem e de si mesmo, até o limite, para certificar-se de que o truque de montagem no comercial concorreria a um prêmio.
— Que horror! Detesto gatos! — Olívia comentou. — Olha só, quantos pêlos na minha roupa!
— E se você ganhasse uma fazenda cheia de animais que se transformavam em bolsas e sapatos?
— Obrigada, mas dispenso.
Robson mal ouviu a recusa; estava preocupado demais com seu tio Hogan. Por que aquele homem, a quem não via há mais de vinte anos, de repente complicava sua vida? Por que tio Hogan legara a casa e a fazenda na Flórida para Robson? Na última vez em que se viram, Robson tinha apenas dez anos.
A mãe de Robson, a caçula da família, era vinte anos mais nova que Hogan, o primogênito. Mas idade e sexo não eram as únicas diferenças.
Enquanto Margaret, a mãe de Robson, se adaptara com perfeição ao modelo de dona de casa dos anos 50, Hogan optara por um modo de vida diferente do convencional, aproximado à maneira hippie, bem antes desta filosofia de vida se tornar popular. Quando Hogan “aparecia para uma visita”, o que podia acontecer em períodos de duas horas ou seis meses, a mãe de Robson rangia os dentes. Com sabedoria, seu pai guardava as opiniões sobre Hogan para si mesmo.
Robson suspeitava de que seu pai admirava o estilo de vida independente de Hogan Potter. Podia entender por que o pai, sobrecarregado com a responsabilidade de fornecer comida, teto e roupas para seis crianças, às vezes olhava melancólico para Hogan.
Com certo desgosto, Robson admitia que quando criança julgara a vida do tio Hogan tão emocionante quanto uma viagem no túnel do tempo, ou um monte de dinheiro para comprar sorvete. Aos trinta anos, Robson lidava com aquela admiração mal resolvida, guardando-a no meio de outras fantasias de infância.

O Toque do Pecado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




É madrugada, a chuva cai sem parar, e as roupas de Caroline estão grudadas a seu corpo enquanto ela perambula pelas ruas desertas. 


Poucas horas atrás, seu marido lhe dissera que estava indo embora, para viver com outra mulher.
O dia ainda não raiou, e Caroline está numa casa estranha, diante de um homem que nunca vira antes dessa noite. Com movimentos lentos e gentis, ele a desnuda e a abraça para fazerem amor. 
E ela se entrega, esquecendo a dor que lhe dilacera o coração, sem pensar no que virá depois.

Capítulo Um

Caroline Barclay sentou-se na beirada da cama de casal. Observava os movimentos do marido sem entender o que ele pretendia exatamente.
Viu-o fechar a porta do quarto e sentar-se na banqueta a sua frente.
Frank Barclay, agora aos quarenta e três anos, havia se tornado um homem muito atraente. Já não era o rapaz franzino de vinte anos atrás, quando se casaram. A vida tranqüila do lar, a boa alimentação e os exercícios diários o haviam deixado forte e musculoso.
E foi com a frieza e arrogância de quem está consciente de sua boa aparência que ele falou:
— Carol, sei que você é uma mulher inteligente e amadurecida o suficiente para não fazer cena de ciúme com o que vou lhe dizer. — Ele parou de falar um instante, como a esperar alguma reação, e continuou: — É impossível manter nosso casamento, estou apaixonado por outra mulher.
Caroline empalideceu. Continuou imóvel, não conseguindo esboçar nenhuma reação. Apenas os dedos de suas mãos crisparam-se ao segurar a colcha de cetim rosa que cobria a cama.
Ela parecia se conter para não ceder ao impulso de atirar-se em lágrimas nos braços do marido, gritando que não era verdade, que seu casamento não estava acabado.
Entretanto, em estado de choque, Caroline só conseguiu dizer:
— Frank, você nunca me disse nada. O que está acontecendo entre nós? — As lágrimas inundaram o rosto de Caroline, e ela não pôde continuar.
— O que acontece é que não nos amamos mais — disse Frank em voz alta. — Nem sexo conseguimos mais fazer.
Ele fala por nós dois, Caroline pensou consigo, como se alguma vez houvesse perguntado a ela o que sentia ou qual o desejo dela em relação a sexo.

sábado, 1 de agosto de 2015

Atrás de seus Olhos

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Consequência

O que Tony estava pensando?
Controle? Aquisição? Dominação? Amor? 

Desde o começo. 
Anthony Rawlings tem o mundo perfeito: dinheiro, influência e poder. 
Tudo em sua vida é, e sempre foi planejado, executado e previsto... até Claire. 
Quanto tempo ele pode negar o que está bem diante dele? Experimente a rara oportunidade de ver a mudança no mundo deste respeitado homem, pelo ponto de vista dele.
Sempre é mais escuro antes da luz.
Através de importantes cenas, experimente a escura jornada dentro da mente do homem que acredita que controla tudo, mas não controla nada. 
Compartilhe quando falhas são superadas e acidentes vencidos.
Para um ávido leitor da série Consequence, é recomendado que este livro seja lido depois de Consequence, Truth, Convicted e Revealead para mais detalhes sobre o homem que:"Era uma vez, assinou um guardanapo que ele sabia que era um contrato. Como um homem de negócios estimado, ele esqueceu uma regra muito importante. Ele se esqueceu de ler as letras miúdas. 
Não foi uma aquisição de outra pessoa como ele tinha anteriormente assumido. Era um acordo para adquirir uma alma.
1.5– Consequences: explora cenas importantes por trás de momentos do primeiro livro. Não é totalmente uma releitura. Este livro explora a mente do homem que pensou em definir regras e se entregar as consequências.

Série Consequência
1- Consequência
1.5- Atrás de seus olhos
(Behind His Eyes)
2- Truth - (Verdade)
3- Revelado

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Furacão de Mudanças

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Ben Logan nunca pediu ajuda a ninguém, até ser carregado por um furacão para uma praia. 


Lá, sua vida fica nas mãos da adorável enfermeira Mary Hammond. Isolados, os dois se livram de suas inibições e se rendem ao calor do desejo. Mesmo depois de resgatados, Ben não consegue esquecer Mary e as noites de paixão que viveram enquanto se protegiam da tempestade. 
Mas quando ela aparece em seu escritório, três meses depois, trazendo consigo uma surpresa, Ben sabe que suas vidas haviam mudado para sempre...

Capítulo Um

Desde o instante em que nasceram, os irmãos Logan eram sinônimo de problema.
Tinham os cabelos negros, olhos sombrios e péssimas intenções. Como eram frequentemente ignorados pelos pais ricos, faziam as babás e a si mesmos de gato e sapato. Não havia muita coisa que um não desafiasse o outro a fazer.
Conforme foram se tornando homens grandes e fortes, os riscos também aumentaram. Alguns riscos eram tolos, considerou Ben. Servir o exército e ir para o Afeganistão fora tolice. De volta à vida de civil, tentando construir suas vidas, o trauma permanecera com eles.
Velejar ao redor do mundo para distrair Jake do casamento falido fora outra idiotice. Especialmente naquele instante, em que o ciclone Lila castigava o frágil bote salva-vidas deles e uma corda pendia do helicóptero acima.
— Leve Ben primeiro. — Jake gritou para a paramédica que descera pela corda, para a contrariedade de Ben.
— Sou o mais velho. — Ben retrucou. Era o mais velho por apenas vinte minutos, vinte minutos que pesaram nas costas dele a vida toda. — Vá.
Jake se recusou, muito embora a mulher que descera pela corda estivesse arriscando tudo para salvá-los. A tempestade era brutal — ninguém deveria estar no mar em tais condições. A discussão tinha de ser rápida e eficaz.
Fez o que tinha de ser feito. As coisas que disse para fazer com que Jake fosse primeiro eram imperdoáveis, mas funcionaram.
— O helicóptero está cheio. — Gritou a paramédica enquanto acenava para o piloto. — Voltaremos para pegar você assim que pudermos.
Ou não. Sabiam quais eram as probabilidades de outro resgate. O ciclone se desviara erraticamente da rota prevista, pegando toda a frota de iates desprevenida. A velocidade com a qual se deslocava era impressionante, e não havia escapatória. Ondas gigantescas arrebentaram o barco deles, e ainda se encontravam no alcance do ciclone. O pior ainda estava por vir.
Pelo menos Jake estava em segurança. Assim ele esperava. O vento fazia com que a corda balançasse selvagemente, arremessando Jake e a paramédica contra o pico das ondas.
Suba logo, implorou mentalmente. Mova-se.
Então outra onda arrebentou-se, um monstro maciço de espuma. Ele a observou descer com toda a força contra a escotilha e segurou-se, temendo pela vida, enquanto o mar jogava a débil embarcação de um lado para o outro como uma bola de praia.
Voltaremos para pegar você assim que pudermos.
Quando o ciclone acabasse?

Doce Rebelde

ROMANCE CONTEMPORÂNEO





O inesperado poder da paixão...

O banqueiro Mathew Bond não havia ido até aquele circo apenas para reviver os bons tempos de infância. Por ter passado muitos momentos lá, fez questão de entregar pessoalmente a ordem de despejo para os donos. Mas cometeu um grande erro! A Incrível Mischka — ou melhor, Allie — é mais perspicaz do que o seu collant cor-de-rosa sugere. 

E não vai deixar que um engravatado expulse sua família, apesar de ser o homem mais lindo que ela já viu na vida! Entretanto, Allie logo descobrirá que por debaixo da superfície fria de Mathew bate um coração de ouro.

Capítulo Um

Ele estava esperando por um gerente, alguém que conhecesse números e pudesse discutir sobre as más notícias em um ambiente de negócios.
Mas o que encontrou foi uma mulher com um sobretudo rosa-choque e uma calça com estampa de tigre, conversando com um camelo.
— Estou procurando por Henry Miski — declarou ele, caminhando cuidadosamente através das poças enquanto a garota colocava o balde de ração no chão e desviava a atenção do camelo para ele. Pequenos terriers ao lado dela empurraram o focinho na direção dele para cumprimentá-lo.
Mathew Bond raramente trabalhava longe de seus escritórios. Sua empresa financiava alguns dos grandes projetos de infraestrutura da Austrália. Aventurar-se nos territórios do circo Sparkles era uma aberração.
Conhecer aquela mulher era uma aberração.
O cabelo castanho dela estava preso em um complicado nó. Os olhos escuros eram emoldurados por cílios com quase dois centímetros de comprimento, e a maquiagem parecia ser um trabalho de arte.
— Espere enquanto eu alimento Pharoah — disse ela. — Ele estava tossindo muito e não pôde trabalhar hoje. E, a não ser que ele pense que está recebendo um tratamento especial, irá zurrar durante a apresentação inteira. — Ela esvaziou o balde na lata do animal e acariciou-lhe as orelhas. Finalmente satisfeita por Pharoah estar feliz, voltou a atenção para ele.
— Desculpe por isto, mas a última coisa que quero é um camelo irritado. O que posso fazer por você?
— Estou aqui para ver Henry Miski — repetiu ele.
— Meu avô não está se sentindo bem — informou ela. — Vovó quer que ele fique na van até a hora do show. Sou a neta dele... Allie, ou “A incrível Mischka”, mas meus amigos me chamam de Allie. — Ela trocou um aperto de mãos com ele. — É algo importante?
— Sou Mathew Bond — disse ele, e entregou um cartão a ela. — Do Banco Bond.
— Algum parentesco com James? — Ela exibiu um sorriso, observando-o da cabeça aos pés. Notou a altura dele, o terno feito sob medida, o sobretudo de cashmere e o clássico sapato irlandês sujo de lama. — Ou a semelhança é apenas uma coincidência? 


A Conquista do Desejo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série A Conquista



O despertar de uma paixão!

Após a morte de sua esposa, o astro da música Ward Miller decidiu se afastar dos palcos e se isolar do mundo. Até a bela Ana Rodriguez convencê-lo a comparecer a um evento de caridade. Mesmo sendo por uma boa causa, tê-la ao seu lado era a lufada de vida que Ward tanto precisava! Ana jurou jamais se apaixonar por uma celebridade. 

O tipo “fã alucinada” definitivamente não fazia parte de seu estilo. Mas isso não impediria Ward de seduzi-la. Ana havia despertado um desejo que ele imaginou ter perdido para sempre. Determinado a conquistá-la, bastou um beijo para conseguir acender a paixão em uma mulher inocente, fazendo-a implorar mais e mais por suas carícias.

Capítulo Um


A última coisa de que Ana Rodriguez precisava na sua vida era outro astro convencido. Apenas uma semana atrás, dera as costas à sua carreira bem-sucedida como figurinista em Hollywood por precisamente tal motivo. De modo que quando a melhor amiga, Emma Worth, sugerira que se candidatasse ao trabalho de diretora de uma instituição de caridade em sua cidade natal de Vista del Mar, Ana ficara muito animada.
Um novo começo era justamente o que ela precisava. Longe do drama de Hollywood. Longe de astros que faziam da sua vida um inferno, apenas porque se recusava a relacionar-se com eles.
Desde então, descobrira que estaria trabalhando com Ward Miller, uma estrela musical que brilhava mais do que qualquer um que ela conhecera em Hollywood. Na experiência dela, quanto maior o nome, maior o ego. Só que, agora, em vez de simplesmente vestir o megalomaníaco, tinha de dar atenção a todas as suas necessidades, escutar as opiniões dele, aceitar seus conselhos e, de modo geral, garantir que estivesse muito feliz sendo a celebridade da instituição de caridade Hannah’s Hope.
Passou o olhar crítico pelo humilde escritório da instituição, cujo intuito era primariamente oferecer “aconselhamento e recursos para indivíduos em desvantagem.” O que era uma forma sofisticada de dizer “Nós ajudamos os pobres.” De modo geral, Ana não gostava muito da forma sofisticada de dizer as coisas.
— Está remoendo — uma voz amigável zombou.
Ana olhou sobre o ombro para Christi Cox, sua diretora assistente.
— Não estou remoendo. Estou ponderando.
O que era uma forma sofisticada de dizer “remoendo.” Ana descruzou os braços para brincar com o trio de argolas douradas do seu brinco.
A mobília da recepção do escritório era bonita, contudo estritamente funcional. A sala de conferência, os gabinetes e a cozinha conseguiam ser ainda menos sofisticados. Ela enviara Omar, o terceiro funcionário da Hannah’s Hope, até o mercado para comprar café. Mas duvidava que mesmo a melhor das marcas fosse impressionar Miller.
Ela arrumara a sala da frente o melhor que pôde, com algumas almofadas, uma luminária de pé e um tapete colorido, todos os itens que ela tinha em casa. Refletiam o seu estilo eclético e acrescentavam um toque de conforto ao aposento, mas nenhuma elegância.
Resumindo, as instalações da Hannah’s Hope pareciam ser exatamente o que eram. Cinquenta por cento sala de reuniões, cinquenta por cento sala de aulas e cem por cento a última esperança para os seus clientes. Zero por cento de espaço para pajear celebridades mimadas.
Série A Conquista
2- A Conquista do Desejo

A Conquista do Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série A Conquista



Um magnata que construiu um império com as próprias mãos retorna a Vista Del Mar para assumir o controle dos negócios de uma família que o humilhou no passado... E conquistar a mulher que sempre foi dona de seu coração!

O nascer da esperança.

“Estou grávida.” 

Com essas palavras, Emma Worth mudou a vida de Chase Larson para sempre. 
Sendo ele mesmo fruto de um caso extraconjugal, o milionário jurou que nenhum herdeiro seu teria um destino tão cruel. Apenas uma coisa o impedia de tornar Emma em sua esposa: a guerra entre as suas famílias. Ela nunca achou que uma noite com Chase os uniria para sempre. Agora, tudo o que mais deseja é criar seu filho ao lado do homem a quem ama. Mas, para isso, Chase precisará superar o fato de terem nascido inimigos...

Capítulo Um

Ela estava lá.
Chase estava parado nas sombras do pórtico, do lado de fora do salão de festas do Vista del Mar Tenis Club. O espaço brilhava com pessoas e joias. No meio de todo aquele brilho, estava Emma, a mulher com quem ele tinha passado uma única noite incrível e... então perdido.
Enquanto a música tocava ao fundo, vozes aumentavam e abaixavam de volume e risadas soavam no ar. Ostensivamente, a festa celebrava a venda iminente das Indústrias Worth para o irmão de criação e melhor amigo de Chase, Rafe Cameron. Mas velhos rancores e segredos passados moviam-se sob a superfície. Como administrador de investimentos de seu irmão e um daqueles envolvidos em negociar a compra de Worth, aquela noite marcava o começo de uma transição traiçoeira.
Chase estudou Emma enquanto bebia um uísque 30 anos que seu irmão proporcionara para aqueles não interessados no champanhe servido à vontade. O uísque escocês descia suavemente pela garganta. Era quase tão sedoso quanto a pele de Emma, revelada hoje em um vestido prateado agarrado às curvas que ele daria quase qualquer coisa para descobrir novamente.
O vestido lembrava o estilo grego, um dos ombros desnudos, o corpete justo até os quadris e uma saia que abria até abaixo dos joelhos. Ainda em estilo grego, ela usava sandálias com saltos finos e tirinhas que circulavam os tornozelos delgados. Com cabelos loiros presos em um coque elegante, parecia uma deusa. Uma jogadora.
Ele estreitou os olhos. O que levava à pergunta: o que ela estava fazendo lá? Uma vez que todos os convidados estavam conectados, de um jeito ou de outro, às Empresas Cameron ou às Indústrias Worth, Emma também devia estar.
Talvez ele devesse aproximar-se e descobrir. E talvez pudesse lhe perguntar por que ela desaparecera daquela forma, deixando-o arrasado em Nova York, em uma busca inútil pela misteriosa Emma sem sobrenome. Antes que Chase pudesse fazer isso, Ronald Worth, o futuro ex-dono das Indústrias Worth, juntou-se a Emma e colocou uma mão possessiva no ombro desnudo dela.
Os lábios de Chase se comprimiram em uma linha fina. Certamente, ela não era amante do inimigo de Rafe. Não poderia estar compartilhando uma cama com um cretino de mais de 60 anos. Todavia, considerando o jeito como o homem abaixava a cabeça e sussurrava um comentário no ouvido dela e o modo afetuoso como Emma se inclinou e beijou-lhe o rosto, aquilo era precisamente o que parecia. Desgraçado!
— Nem pense nisso.
Chase olhou para trás ao som da voz de Rafe, os cabelos loiros de seu irmão entregando sua localização no escuro.
— No quê?
— A princesa. Vejo que você não tira os olhos dela, e estou lhe dizendo: nem pense nisso. Aquela garota vai devorá-lo e jogá-lo fora pelo simples prazer de fazer isso.
Chase ficou em silêncio, uma tática que aprendera durante aqueles primeiros anos difíceis, quando tinha ido morar com seu pai. Ele virou-se para olhar seu irmão de criação, cuidando para esconder a raiva interior.
— Você a conhece?
— Emma Worth, também conhecida como Filha de Satã.

Série A Conquista
1- A Conquista do Amor



Uma Noite, Uma Vida

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Dinah saiu do provador querendo rasgar todos aqueles vestidos bonitos e sofisticados. 


Nenhum deles lhe caía bem, nenhum! Se já não bastasse ser tão sem graça, ainda tinha que... Não, não podia se torturar pelo que havia acontecido! Enxugou as lágrimas e então viu, em cima do balcão, uma peça cor-de-rosa, de seda muito leve, suave... Era o "seu" vestido; sabia disso antes mesmo de prová-lo. 
Ignorou os protestos da dona da loja, que se recusava a vender o que considerava uma roupa que carregava maus presságios. Não era supersticiosa e iria comprá-lo. Como esperava, o vestido lhe serviu, moldando-lhe o corpo como se fosse uma boneca. Não aconteceria nenhum acidente com ela, nem com Jason. Pelo menos, era o que Dinah pensava, naquele dia...

Capítulo Um

O departamento de porcelanas da Grady's ficava no fundo da loja. Dinah arrumava, pensativa, as estatuetas na vitrine, os óculos escorregando a toda hora pelo nariz pequeno. De repente, a figura de um homem que seguia por um dos corredores, em sua direção, a fez estremecer.
Quis se esconder, fugir, mas Jason Devrel tinha olhos muito perspicazes e não havia como escapar deles. Dinah sentiu pânico. Inerte, viu uma delicada estatueta deslizar por entre seus dedos e espatifar-se no chão.
— O que foi que fez, srta. Stacey? — O supervisor se apressou para verificar de perto o estrago, enquanto ela não conseguia tirar os olhos de Jason, tão elegante naquele terno cinza-escuro.
— Que desastre... Uma de nossas melhores peças! — O funcionário parecia furioso. — Terá que pagar por ela, srta. Stacey.
— Talvez isto seja suficiente para cobrir as despesas. — A voz de Jason era calma. Várias notas de dez libras foram colocadas sobre o balcão.
— A orientação da loja é a de que o empregado que danifique algum objeto pague por ele — o supervisor argumentou.
— Acidentes acontecem — Jason insistiu. — Por favor, aceite o dinheiro e dê o caso por encerrado.
— Pois não, senhor. — O homem recolheu as notas e as colocou na máquina registradora. — Srta. Stacey, agora atenda este senhor e, por favor, pare de sonhar acordada.
Dinah permanecia numa espécie de choque, por se ver diante de Jason Devrel. Ajeitou os óculos com os dedos trêmulos. Tinha vontade de mandá-lo embora, de implorar para que a deixasse em paz.
Sim, era exatamente o que devia ter feito quando saíra de casa, naquela manhã envolta em neblina. Tinha fugido de Havenshore, como em transe, e só se dera conta de alguma coisa na plataforma da estação. Entrara no trem e fora para Londres. Lá poderia se esconder facilmente na companhia de milhares de outras garotas que conseguiam ganhar a vida trabalhando em lojas, escritório ou o que fosse.
Mas agora a insegurança a envolvia outra vez. De repente, as lembranças a ameaçavam e a feriam como nunca.
— Preciso comprar um presente para uma pessoa que gosta de tigres — Jason falou em tom impessoal. — Pode me mostrar aquela estatueta, na prateleira de cima?
Dinah fez o que ele lhe pediu. Sem dizer uma palavra, o coração batendo depressa, entregou-lhe o bonito tigre de porcelana, de expressão cruel e astuta.
Jason examinou demoradamente a peça.
— Acho que ela vai gostar, embora ele não seja tão bonito como o que fica na sua mesinha de cabeceira, cujos olhos brilham no escuro...

Vendedora de Ilusões

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

  

Quando Juliet e Drew Major se encontravam, era uma briga atrás da outra. 

Juliet sabia que devia tratá-lo com todo respeito, já que Drew era seu patrão e ela, apenas uma vendedora da loja Major Mo, entanto, não conseguia se controlar quando ele a obrigava a usar um uniforme horroroso e a cumprir horários rígidos. Acabavam discutindo e Juliet ficava cada vez mais convencida de que Drew a odiava. 
A princípio, ela o odiava também. Mas aos poucos começou a amá-lo desesperadamente, mesmo sabendo que seu amor era pura ilusão. Afinal, que chances teriam uma simples vendedora de conquistar o coração de seu poderoso chefão? A vida se encarregaria de responder a essa pergunta...

Capítulo Um

— Se não abrirem essa porta logo, seremos devoradas vivas por esses dois horríveis animais. Parecem famintos e prestes a dar o bote!
— É... Reparando bem, parecem mesmo famintos. — Juliet soltou uma risada gostosa.
Os animais a que sua mãe se referia eram dois leões de pedra que montavam guarda à entrada da casa. A residência dos Major era um velho casarão de dois andares, provavelmente construído há uns dois séculos. Era todo revestido de tijolos vermelhos, já desbotados pela ação do tempo. Na entrada, junto com os leões de pedra, havia pilastras brancas que aumentavam a magnitude do casarão, deixando qualquer visitante boquiaberto com tamanha imponência.
Quando a porta da casa se abriu, Juliet teve a impressão de estar entrando num mundo encantado de sonhos e luxo. Warren Major, um cinquentão de olhos espertos, veio até o hall. Passando por Juliet, ele reparou na mãe dela, que estava ao lado, e estendeu os braços, visivelmente emocionado.
— Cynthia Bourne! Há quanto tempo! Faz bem uns trinta anos, não é?
Ela tomou as mãos dele nas suas.
— Inacreditável! Parece a mesma, não mudou nada.
— Nem você. Foi muito gentil de sua parte nos receber, Warren. Odeio pedir favores, mas nas atuais circunstâncias...
— Nem pense nisso! Só de olhar para você me sinto uns trinta anos mais jovem. — Pegou-a gentilmente pelo braço e conduziu-a até a sala de visitas, Juliet não conseguia disfarçar a impressão que a casa provocava nela e observava tudo com olhos arregalados. Havia objetos de prata e ouro em todo canto, as cadeiras eram forradas com veludo e as almofadas de cetim. Tirando os olhos daquelas maravilhas, Juliet deu com um homem parado à porta, que a olhava interrogativamente.
— Este é meu filho — Warren apresentou. — Drew, esta é Cynthia Bourne, uma amiga dos velhos tempos, e a filha, Juliet.
Com os modos polidos de um perfeito gentleman, ele as cumprimentou. Parecia um tanto indiferente e frio, mas Juliet achou tal atitude justificável devido às circunstâncias.
— Minha esposa — Warren prosseguia com as apresentações, mostrando uma mulher sentada no sofá, — Mildred.
Mildred Major limitou-se a um polido sorriso com os lábios cerrados, como se estivesse receosa de enrugar o rosto, e não disse uma palavra.
— Sinto muito incomodá-los. — Cynthia tentou quebrar aquele silêncio embaraçoso.
— Incômodo nenhum — Mildred replicou secamente, numa voz que mais parecia um pio de tão estridente.
— Bem. . . — Warren procurava ser o mais cordial possível. — O que faremos primeiro?


Algemas Partidas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Ao descer do avião, Cally respirou fundo, satisfeita. 

Finalmente chegava ao México! Os laços que a prendiam ao passado estavam cortados e a liberdade despontava em sua vida como o sol tórrido daquela terra quente e bonita. Mas... onde estava Rolfe, o irmão que ia ajudá-la nessa aventura? O medo começou a turvar o encantamento de uma promessa de vida nova. Rolfe havia desaparecido, deixando-a sozinha para pagar por um crime do qual ela nada sabia. 
Num terrível suceder de acontecimentos, Cally viu-se frente à fúria de Zarazua Guerrero, um mexicano disposto a levar sua vingança aos limites da loucura. Era loucura obrigar um inocente pagar pelo criminoso; era loucura do ódio nascer uma paixão!

Capítulo Um

Mais duas horas de espera! Cally olhou para o relógio, nervosa. Nunca havia viajado para fora do país e uma sensação diferente e estranha tomava conta de seu corpo. Agora já não tinha tanta certeza de que estava agindo bem. Não tinha sido fácil tomar a decisão de ir embora. Seu pai, Bernard Shearman, dera a ela e ao irmão Rolfe uma educação extremamente rígida e, embora Cally já estivesse com vinte e três anos, não havia conseguido fugir totalmente do controle paterno.
O velho Bernard nunca permitira que os filhos frequentassem a universidade, nem que tivessem suas próprias amizades. E, havia dois anos, Rolfe se rebelara e resolvera sair de casa. Havia insistido muito para que Cally fosse embora também e deixasse o pai sozinho com seu moralismo. A princípio, a idéia de sair de casa na companhia de Rolfe parecera maravilhosa... Mas, depois, mudara seus planos e resolvera ficar.
Cally não sabia bem se havia sido por amor a seu pai ou apenas por obrigação que tinha decidido não acompanhar Rolfe. O velho Bernard precisava dela, todos sabiam. Se não fosse a filha, quem iria preparar a comida dele, engraxar seus sapatos e manter a casa sempre impecavelmente limpa?
Uma senhora, sentada a seu lado na ala de espera do aeroporto de Miami, percebeu seu nervosismo e perguntou se tudo estava bem.
— Estou bem, obrigada — Cally respondeu, rapidamente. A mulher lançou-lhe um olhar desapontado, mostrando que a rispidez da resposta a havia ofendido. Não fora essa a intenção de Cally, mas como podia explicar que não estava com disposição para conversar?
Embaraçada, abriu a bolsa e apanhou uma carta, cujo conteúdo já sabia de cor. Fora enviada do México havia dois anos por Rolfe. E tinha chegado no momento em que as coisas pareciam mudar em sua casa. Cally começou a ler e logo as lembranças começaram a povoar sua mente. Havia dois meses, pegara uma gripe fortíssima que a deixara de cama por alguns dias. Havia ficado abatida, fraca e cansada, e completamente incapacitada de cozinhar. Bernard Shearman não sabia sequer fritar um ovo, e então resolvera fazer suas refeições fora de casa.
Durante um jantar, num restaurante da cidade, ele conheceu e fez amizade com Elma Bates, uma viúva cinco anos mais moça que ele. Logo se apaixonaram.
Cally se lembrava bem do primeiro dia em que Elma apareceu em sua casa.
— Quero que nos sirva alguma coisa — dissera seu pai, visivelmente ansioso com a visita. — E faça o favor de ser delicada e atenciosa com Elma. Ela é uma mulher muito fina!

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Peixe Fora D’Agua

ROMANCE SOBRENATURAL
Série Sereia






Fredrika Bimm é uma híbrida — seu pai era um tritão que deixou sua mãe hippie grávida numa noite na praia e depois desapareceu para sempre. 

Parte dos dois mundos e sentindo-se fora do lugar praticamente em todos os lugares, o maior desejo de Fred é manter-se só, e permanecer fora do radar de todos.
As circunstâncias, porém, fazem isso impossível. 
No último ano e meio, ela ajudou o príncipe Artur do povo subaquático (como os subs chamam a si mesmos) ao descobrir quem estavam jogando toxinas em Boston Harbor, apaixonou-se por um colega biólogo marinho 
Além disso, ela voltou de uma licença de seu emprego no New England Aquarium. Então, ela esteve ocupada.
Agora, seis meses após o primeiro do povo subaquático terem sido vistos na CNN, o mundo está fascinado pela ideia de que as sereias são reais... sempre foi real... e pode haver uma vida diferente da nossa. Além disso, ela tem uma casa de caça, na Flórida. Durante a temporada turística.
Oh, a humanidade.

Prólogo

Olhava fixamente, transfigurado. Seu povo estava se mostrando ao mundo! Como podia a família real... O rei... permitir isto? Ia contra séculos de tradição e comportamento enraizado.
Imediatamente começou a refletir sobre como podia colocar a situação a seu favor.

Capítulo Um

—Desculpe, você é uma sereia?
—Por quê? —Fred percorria a enorme e espaçosa cozinha tentando não demonstrar quanto se sentia impressionada pela vista do oceano. Sabia que a agente imobiliária perceberia isso como um sabujo percebe o suor — Vou ganhar um desconto? Mostro-lhes a cauda e me dão dez por cento de abatimento? Algo assim?
A agente imobiliária se ruborizou, o que, considerando que tinha a compleição cremosa natural da maioria dos ruivos, deu a impressão de que estava a ponto de ter um ataque. Fred se perguntou quanto faltaria para que aparecessem os paramédicos.
—Não queria dizer nada parecido. — Tossiu — É só... seu cabelo.
—Sei, não me diga isso. Despedi meu cabeleireiro. —Fred afofou as pontas de seu cabelo verde, que agora lhe chegava à altura do queixo em contraste com a cabeleira que antes lhe caía pelas costas. Era muito mais fácil de cuidar, embora seu amigo Jonas tenha gritado como se o estivessem apunhalando quando a viu — E ainda sinto pena por meu amigo. Meu estúpido e irritante amigo.
—Mas é azul.
—Tecnicamente é verde. — Abri uma despensa para ver quão profunda era —Sabe como o oceano parece azul, mas é na verdade verde? O mesmo comigo... o triturador de lixo funciona?
—O que? Sim. E a casa vem com todos os eletrodomésticos, assim como com manutenção do gramado. Então é?
—Suponho. É bastante cara. E para que preciso de quatro dormitórios? Sabe o que isso significará para mim? Convidados indesejados. "Ouça, Fred, tem bastante espaço, ficaremos aqui um mês". Tem ideia de quanto odeio os convidados indesejados? Os odeio como um menino gordo odeia Slim-Fast. Além disso, vivo em um apartamento em Boston a maior parte do ano. Cortar um gramado seria na verdade um presente para mim.
—Não, quero dizer, é uma sereia?
—O termo é pessoa subaquática
—Sim, é?


Série Sereia
1- Dormindo com os Peixes
2- em rev.
3- Peixe Fora D’Agua

Dormindo Com os Peixes

ROMANCE SOBRENATURAL
Série Sereia





A doutora Fredrika Bimm, também conhecida como Fred, sempre soube que era diferente, mas ser uma sereia não quer dizer que tenha que amar o oceano. 

Quando Fred quer encharcar-se em água salgada, prefere a piscina que sua mãe construiu.
O trabalho de Fred no New England Aquarium permite o uso de seus dons e habilidades para se comunicar com os peixes. Mas sua vida tranquila é interrompida quando dois homens, de aparência agradável e decididos, aparecem repentinamente em sua vida. 
O primeiro é o investigador associado do aquário, o doutor Thomas Pearson, e o segundo é o Alto Príncipe Artur do Mar Negro. 
Não tendo nunca se encontrado com outra sereia, Fred se sente atraída e repelida ao mesmo tempo por Artur.
Ambos os homens chegaram porque alguém polui deliberadamente o porto de Boston, e querem a ajuda de Fred para descobrir o culpado. É muito difícil trabalhar intimamente com dois homens muito desejáveis, mas alguém tem que fazer!

Capítulo Um

O horror inacreditável começou quando Fred pegou seus pais fazendo amor sobre a mesa de café da sala de estar. Como todos os filhos, inclusive os adultos, sua primeira impressão confusa foi que seu pai estava fazendo mal a sua mãe. Ou talvez estivesse arrumando as costas. Sua segunda impressão foi que os livros da mesa de café (Alaska: A última Fronteira; Cape Cod: Guia de um Explorador; O Mar Negro: Uma História) deviam estar cravando horrores os joelhos de sua mãe. Sua terceira impressão soou algo como isto,
─ Aaaaeeeuuieeee!
Sua mãe escorregou e o National Geographic, As Focas do Antártico, saiu voando da mesa de café como uma ficha no jogo e golpeou o chão com um ruído surdo. Seu pai se sobressaltou, mas, infelizmente, não caiu longe de (ou fora de) sua mãe.
Fred atravessou velozmente a sala e, antes de perceber o que estava fazendo, tirou seu pai e o jogou sobre o sofá. Então ela pegou rapidamente a manta cor laranja brilhante do sofá e atirou sobre sua mãe.
─ Wow ─ gemeu seu pai fora de vista.
Sua mãe se retorceu embaixo da manta, endireitou-se, e enfrentou sua filha, seu rosto normalmente pálido estava ruborizado de fúria. Ou de outra coisa que Fred não queria pensar.
─ Fredrika Bimm, o que pensa que está fazendo?
─ Me descontrolando. Perdendo o juízo. Pensando em quebrar a coluna vertebral de seu marido. Contendo a urgência de vomitar. Desejando ter morrido no parto.
─ Oh, disse isso mesmo quando não conseguiu um prêmio em seus Lucky Charms[1] ─ exclamou sua mãe, ─ Qual é o seu problema, senhorita? Já não bate na porta? ─ Sua mãe, uma bonita loira com listras prateadas e cabelos até os ombros e um rosto perturbadoramente suado, levantou da mesa de café com notável dignidade, segurando a manta para cobrir suas coxas roliças, e contornou o sofá para ajudar seu marido. ─ Simplesmente invade sem convite?
─ Tenho uma chave, não invadi, ─ apontou Fred, ainda com o estômago enjoado, mas lamentando a violência. ─ E você me pediu que viesse.
─ Ontem. Pedi que viesse ontem.
─ Estava trabalhando, Fred tentou não choramingar, ou ficar com o olhar fixo. ─ Não podia dispensar sem mais nem menos todos os peixes. Mesmo que eles mereçam, esses pequenos bastardos. De qualquer forma, não pude vir.
─ Bom, ─ replicou sua mãe ─ Hoje eu tampouco poderia.
Fred tentou novamente não vomitar, e teve êxito no momento. Espiou sobre o sofá, onde seu pai estava gemendo e segurando firmemente a parte inferior das costas. Sua careca sardenta estava ruborizada quase até púrpura. Seu rabo-de-cavalo desfeito.
─ Sinto muito, papai.



Série Sereia
1- Dormindo com os Peixes
2- em rev.
3- Peixe Fora D’Agua

domingo, 26 de julho de 2015

As Perfeccionistas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série As Perfeccionistas




Em Beacon Heights, Washington, cinco meninas — Ava, Caitlin, Mackenzie, Julie e Parker — sabem que você não tem que ser bom para ser perfeito.

No início as meninas pensavam que não tinham nada em comum, até que elas perceberam que todas elas odeiam Nolan Hotchkiss, que fez coisas terríveis com cada uma delas.
Elas imaginam a maneira perfeita para matá-lo — um assassinato hipotético, é claro. 
É apenas uma brincadeira... até que Nolan aparece morto, exatamente da maneira planejada.
Só que elas não o mataram. E a menos que elas encontrem o verdadeiro assassino, suas vidas perfeitas irão desabar à sua volta.

Capítulo Um

Em uma manhã de quinta-feira ensolarada, Parker Duvall caminhava pelos corredores lotados de Beacon Heights High, uma escola que distribuía MacBooks como se eles fossem, bem, maçãs, e vangloriava-se pelas maiores pontuações no SAT de todo o estado de Washington. Acima, uma faixa marrom e branca dizia "Parabéns, Beacon High! Eleita a melhor escola secundária  do noroeste do Pacífico pelo quinto ano consecutivo pela revista U.S. News e Word report! Vai peixe-espada!"
Superem isso, Parker queria gritar — embora ela não o tenha feito, porque isso parecia loucura, até mesmo para ela. Ela olhou ao redor do corredor. Um bando de meninas em suas saias de tênis estava reunido em torno de um espelho no armário, aplicando diligentemente gloss para lábios em seus rostos já impecavelmente maquiados. 
A poucos metros de distância, um rapaz em uma camisa de botão distribuía folhetos para as eleições para o governo estudantil, seu sorriso deslumbrantemente branco. Duas meninas saíram do auditório e passaram por Parker, uma delas dizendo, — Eu realmente espero que você ganhe esse papel se eu não ganhar. Você é tão talentosa!
Parker revirou os olhos. Você não percebe que nada disso importa? Todo mundo estava lutando por algo ou traçando seu caminho para o topo... e para quê? Uma melhor chance de ganhar uma bolsa de estudos perfeita? A melhor oportunidade para conseguir aquele estágio perfeito? Perfeito, perfeito, perfeito, vangloriação, vangloriação, vangloriação. É claro, Parker costumava ser assim. 
Não muito tempo atrás, Parker tinha sido popular, inteligente e orientada. Ela tinha um zilhão de amigos no Facebook e Instagram. Ela inventava eleições complicadas que todos participavam, e se ela aparecesse em uma festa, ela fazia o evento. Ela era convidada para tudo, pedia para ser parte de cada clube. Caras a acompanhavam para a aula e pediam-lhe para ser sua acompanhante.
Mas, então, aquilo aconteceu, e a Parker que surgiu das cinzas um ano atrás usava o mesmo moletom com capuz todos os dias para esconder as cicatrizes que marcavam seu rosto que um dia já foi belo.
1 S.A.T. (Scholastic Aptitude Test): Teste de avaliação de conhecimento exigido para entrar em curso superior nos E.U.A.
Ela nunca ia para as festas. Ela não olhava o Facebook há meses, não podia se imaginar namorando, não tinha interesse em clubes. Nem uma única alma olhava para ela quando ela caminhava no corredor. Se ela recebia uma olhada, era de apreensão e cautela. Não fale com ela. Ela está danificada. Ela é o que pode acontecer se você não for perfeito.
Ela estava prestes a ir para a sala de aula de estudos de cinema quando alguém pegou o braço dela. 
— Parker. Você esqueceu?
Sua melhor — e única — amiga, Julie Redding, estava atrás dela. Ela parecia perfeitamente refinada em uma blusa branca, seu cabelo castanho-avermelhado brilhando e seus olhos redondos com preocupação.
— Esqueci o que? — Parker resmungou, puxando mais apertado o capuz sobre seu rosto.
— A reunião de hoje. É obrigatória.
Parker olhou para a amiga. Como se ela se importasse com algo obrigatório.
— Vamos. — Julie a conduziu ao fundo do corredor, e Parker a seguiu relutantemente. — Então, onde você esteve, afinal? — Julie sussurrou. — Eu mandei mensagens de texto por dois dias. Você estava doente?
Parker zombou. — Doente da vida. 

Série As Perfeccionistas
1-  As Perfeccionistas
2- As Boas Garotas.