sábado, 25 de junho de 2016

Pedidos Inegáveis

APIMENTADO CONTEMPORÂNEO 
Série Segredos do Paraiso




Wade acredita que pode fechar o negócio facilmente. Porém, convencer a obstinada Tori não seria nada fácil! 

Ela não irá ceder ao homem que um dia a demitira! Mesmo assim, Wade continuará tentando. 
Do contrário, corre o risco de expor um segredo que destruirá sua família.
Nos negócios, a melhor arma é a sedução!
Quando Wade Mitchell encontra Victoria Sullivan, sabe que terá de repensar a sua tática usual. 
Ele precisa comprar algo que pertence a ela o mais rápido possível. 
E já que a química entre os dois é intensa, Wade acredita que pode fechar o negócio facilmente. 
Porém, convencer a obstinada Tori não seria nada fácil! Ela não irá ceder ao homem que um dia a demitira! Mesmo assim, Wade continuará tentando. Do contrário, corre o risco de expor um segredo que destruirá sua família.

Capítulo Um

Wade detestava a neve. Sempre detestara. Jamais imaginaria que um homem nascido e criado na Nova Inglaterra iria se sentir de maneira diferente, ou teria ido embora, mas ele não fizera nenhuma das duas coisas. A cada novembro, quando os primeiros flocos de neve começavam a cair, parte de sua alma murchava até a chegada da primavera. 
Por isso que reservara um voo para a Jamaica na semana antes do Natal. Como sempre, pretendia retornar à residência dos Eden para as festas, mas a ligação frenética que recebera de sua irmã adotiva, Julianne, mudara tudo.
A contragosto, mandara a assistente cancelar a viagem, contudo, se tudo corresse bem, talvez pudesse usar as reservas para depois do Natal. Poderia romper o ano em uma praia, bebendo algo gelado, com todas as preocupações profundamente enterradas.
Interessante escolha de palavras.
A SUV da BMW desceu a pista dupla da estrada que levava à Garden of Eden Christmas Tree Farm. Wade preferia dirigir o seu carro esporte, porém, a Connecticut rural no inverno não era lugar para ele, de modo que o deixara em Manhattan. A SUV tinha pneus para neve, correntes na mala, e era alta o bastante para não permitir que pedaços de gelo em regiões mal desobstruídas arranhassem o fundo.
Avistando a enorme placa em formato de maçã que indicava a entrada da fazenda de árvores de Natal dos seus pais adotivos, Wade suspirou de alívio. 
Até aquele instante, não se dera conta de que vinha prendendo a respiração. Mesmo sob as circunstâncias menos que ideais, voltar para casa sempre o fazia sentir-se melhor.
A fazenda era o único lar que, de fato, já tivera. Nenhum dos seus outros lares adotivos fora igual. 
Não tinha lembranças calorosas de ter morado com a tia-avó antes disso, e nem de seus primeiros anos de vida com a mãe. Mas a Garden of Eden fora justamente isso, o jardim do Eden. O paraíso. Ainda mais para um garoto abandonado que poderia facilmente ter se tornado um criminoso de carreira em vez de um milionário do mercado imobiliário.
Os Eden haviam mudado tudo para ele. Para ele e para todas as crianças que foram morar ali. Ele devia a vida ao casal. Sem dúvida, eram os seus pais. 
Wade não fazia ideia de quem era o seu pai biológico e apenas vira a mãe uma vez desde que ela o largara na porta da tia, ainda pequeno. Quando pensava em um lar e em uma família, pensava na fazenda e na família que os Eden haviam reunido.
Só haviam conseguido ter uma filha deles mesmos, Julianne. Por algum tempo, pareceu que os sonhos de uma casa repleta de crianças que ajudariam na fazenda e, um dia, assumiriam os negócios da família haviam sido esmagados. No entanto, decidiram reformar o velho celeiro, transformando-o em um alojamento perfeito para garotos arruaceiros e começaram a aceitar filhos adotivos.
Wade fora o primeiro. Julianne ainda usava maria-chiquinha quando ele chegara, arrastando a sua boneca favorita atrás de si. Wade já tivera a sua cota de lares adotivos, e, desta vez, parecera ser diferente. Ele não era um fardo, não era uma maneira de conseguir um cheque polpudo do Estado. Ele era o filho deles.
Daí a razão de desejar visitá-los por outros motivos. Na sua cabeça, desapontar os pais era o maior pecado que poderia cometer. Ainda pior do que aquele que cometera há quinze anos e que o metera naquela confusão.


Série Segredos do Paraiso
1- Pedidos Inegáveis
2- Beleza Revelada
3- a revisar
4- idem

Beleza Revelada

APIMENTADO CONTEMPORÂNEO 
Série Segredos do Paraiso












Ela conquistará seu sombrio chefe?

O solitário CEO Brody Eden carrega um segredo que nunca revelara... até contratar sua nova assistente, Samantha Davis. 

Ela jamais conhecera um homem tão reservado e lindo quanto Brody. 
E, para ele, Samantha é a tentação personificada. 
Sam não queria se apaixonar pelo chefe, mas sentia que, por trás da atitude áspera, havia ternura e paixão intensas prontas para serem liberadas. E ela está determinada a conquistar o coração de Wade.

Capítulo Um

— Acordo de confidencialidade?
Samantha Davis franziu a testa para a madrinha. Durante toda a sua vida, Agnes estivera presente para Sam. Confiava na mulher mais velha, que havia se convertido em uma figura materna quando ela ainda estava no ensino fundamental. E a estava ajudando a conseguir um emprego quando Sam mais precisava de um. Contudo, mesmo assim, não gostou de escutar aquilo.
Chegar ao escritório de Agnes em si já havia sido um feito. Sam tinha quase certeza de que devia haver menos medidas de segurança no QG da CIA.
No que estava se metendo?
Agnes sacudiu a cabeça, e empurrou o formulário por sobre a mesa.
— Não é nada com que se preocupar, querida. O sr. Eden é muito exigente quando se trata da sua privacidade. É por isso que há tantas restrições para se chegar a este andar. Ninguém no prédio tem acesso, além de mim, do próprio sr. Eden e do chefe da segurança. Sou a única na empresa a ter qualquer tipo de interação pessoal com ele. Se vai me substituir enquanto eu estiver de férias, também interagirá com ele, de modo que terá de assinar o acordo.
Um arrepio desagradável percorreu a coluna de Sam. Embora ela e Agnes fossem as únicas pessoas na sala, ela se sentia como se estivesse sendo observada. Olhando curiosamente ao redor do escritório moderno, no entanto confortavelmente decorado, ela avistou uma câmera observando-a do canto da sala. Havia outra na parede oposta, capturando o ambiente por um ângulo diferente. Quem precisava de equipamento de vigilância para monitorar a própria secretária?
Se fosse qualquer outra pessoa além da madrinha lhe dizendo para aceitar aquele emprego, já estaria porta afora. Mas Agnes não a colocaria em uma fria só para que pudesse sair de férias pelo seu quadragésimo aniversário de casamento. Talvez fosse pior do que parecia.
E, no entanto, não conseguia precisar exatamente o que estava acontecendo ali. Com desconfiança, passou os olhos pela papelada do acordo de confidencialidade. Brody Eden era o dono da Eden Software Systems. Soluções de escritórios e comunicações. Nada confidencial. Nada que pudesse ameaçar a segurança nacional caso viesse a vazar. E, no entanto, caso ela descumprisse os termos do acordo, seria obrigada a pagar uma indenização de cinco milhões de dólares.
— Não sei, não. Cinco milhões? Não tenho tanto dinheiro.
— E você acha que eu tenho? — Agnes riu. — A quantia é deliberadamente alta para que ninguém quebre o acordo, só isso. Contanto que faça o seu trabalho e não fale sobre o sr. Eden com ninguém que não seja eu, tudo ficará bem.
— Não entendo. Falar sobre o quê?
Até onde Sam sabia, Brody Eden era uma espécie de gênio por trás dos panos. Era como Bill Gates sem um rosto. Repórteres haviam tentado e falhado em obter informações sobre ele, criando ainda mais perguntas, mistério e interesse. Ele simplesmente não existia antes de iniciar o seu império de programas de computação. Se as pessoas descobrissem que Sam tinha acesso a ele, supunha que poderiam vir até ela em busca de detalhes, mas o que era tão importante que não podia revelar? Como ele gostava do seu café?
Sam não entendia todo o mistério. Sempre presumiu que fosse para encorajar o burburinho a respeito da empresa, contudo, as câmeras e o contrato a levavam a se perguntar se não haveria mais por trás disso.
Agnes suspirou. — Assine o contrato que eu lhe conto.


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3- a revisar
4- idem


O Noivo Impaciente

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Cinderelas existem?

Em um curto espaço de tempo, a vida de Sophia Charlton muda da água para o vinho: 


além de descobrir que é descendente de um conde italiano e herdeira de uma considerável fortuna, é pedida em casamento pelo príncipe Rozzano di Barsini, um homem atraente e sedutor. E o desejo dele é que a cerimônia se realize dentro de quatro semanas!
Após a surpresa e o choque iniciais, porém, Sophia começa a questionar o motivo da impaciência de Rozzano. 
Segundo os rumores, ele precisa urgentemente de um herdeiro. 
E agora?... Ela está prestes a se tornar a amada esposa do príncipe, ou apenas a mãe de seus filhos ?

Capítulo Um

Das sombras da galeria dos músicos, Rozzano observava as comemorações do aniversário de sua cunhada e travava uma batalha perdida contra o inevitável. Ele simplesmente tinha que se casar. Era uma ideia terrível... mas não restava escolha. Uma dor quase física contraiu-lhe o estômago.
No belo salão de baile abaixo, que datava do século dezoito, concubinas de luxo flertavam com seus amantes e beldades estonteantes ronronavam nos braços de velhos magnatas. Vários convidados circulavam pelo salão e tocavam maliciosamente as antiguidades, tentando avaliá-las.
Ele soltou um suspiro tenso, zangado. Aqueles eram seus pertences, seu palácio... e aquelas pessoas os estavam profanando. Desprezava a roda de amigos de seu irmão. Não passavam de um bando de gente de mau gosto.
E em meio às conversas eufóricas e vazias, seu irmão, um tipo mentiroso, trapaceiro e avesso ao trabalho, andava feito um pavão, exibindo a si e a riqueza dos Barsini enquanto a aniversariante ia se mantendo no centro das atenções e os filhos mimados dela gritavam, esperneavam e se empanturravam com caras iguarias.
O príncipe Rozzano Alessandro di Barsini permitiu-se o raro luxo de uma careta desgostosa. Tinha a reputação de ser um cavalheiro perfeito, impecável. As pessoas ficariam perplexas se o vissem agindo de outra maneira. Mas as emoções dos Barsini não deviam ser manifestadas em público.
— Tenha emoções se for inevitável! — dissera o pai numa certa ocasião. — Mas tenha a decência de guardá-las para si mesmo!
Assim, todo o ódio e fúria que sentia contra seus parentes tinham ficado totalmente em segredo... mas, céus, era bom deixar a máscara cair por alguns momentos!
Naquela noite, ter sido polido com todos durante a hora anterior esgotara sua paciência. E estava achando cada vez mais difícil se conter diante dos excessos do irmão. Quando criança, passara longas e dolorosas horas em isolamento, reprimindo suas paixões de maneira a contentar seu rigoroso pai. Após trinta e quatro anos de autodisciplina, aprendera bem a lição.
Havia suportado direcionando toda a sua energia ao perigo, a esportes arriscados que exigiam que desse o máximo de si. Mas havia vezes em que Enrico ia longe demais e o controle de Rozzano era colocado à prova.
O desprezo o fez torcer os lábios sensuais. Achava o irmão repulsivo, vulgar e imoral. Até mesmo ali, Enrico estava acariciando as costas de uma mulher. Era casada e tinha dois filhos... uma das muitas amantes que Enrico sustentava. Uma raiva impotente dominou-o com o fato de o irmão ter levado aquela mulher ao palazzo da família.
Pensou no dia em que Enrico nascera e em como o pequenino bebê de cabelos negros derretera seu coração. Enrico parecera-lhe um milagre. Mas ele próprio tinha quatro anos de idade na época e nem pudera imaginar que o bebê inocente iria sistematicamente envenenar a vida de quem entrasse em contato com ele... apenas pelo puro prazer de fazê-lo.
Rozzano empalideceu. O veneno estava nele também. Levava-o a sentir tamanha raiva e revolta por alguém de seu próprio sangue... 



Série Casamentos da Sociedade
1- Prometida do Sheik
2- Labaredas da Paixão
3- Noiva Substituta
4- O Noivo Impaciente
5- Antes do Sim
6- Inesquecível Paixão
Série Concluída

Renegado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

O chefe de polícia Cash Grier leva a sério sua missão: manter a lei e a ordem nas ruas de Jacobsville, mesmo que para isso tenha de enfrentar políticos influentes e corruptos.

Desde cedo, Cash teve de aprender que nada, nem ninguém, deve ser avaliado apenas pela aparência. 

E quando se trata da encantadora Tippy Moore, o cuidado é redobrado.
Apesar da vida glamourosa como modelo e atriz, Tippy tem traumas profundos, além de ser insegura em relação aos homens.
Quando Cash começa a acreditar que Tippy pode ser a mulher com que sempre sonhou, um terrível acontecimento o torna novamente um homem descrente e amargo. Mas ele é desafiado pelo destino para reavaliar seus sentimentos... e salvar o verdadeiro amor de sua vida!

Capítulo Um

Era preguiçosa, aquela manhã de segunda-feira. Não acontecia muita coisa na Delegacia de Polícia de Jacobsville, no Texas. Três guardas fardados tomavam café à mesa de refeições da sala de espera. Um delegado passara por lá para entre­gar um documento. 
Um cidadão preenchia a queixa contra um acusado, trazido naquele momento por um dos guardas. A secretária, que geralmente ficava na recepção, não estava.
— Isso mesmo. Isso mesmo! Eu não devia trabalhar aqui. Há vagas lá no supermercado Poupa Muito. Vou lá agora mesmo me inscrever.
As cabeças voltaram-se para a cena pouco comum da secretária do chefe de polícia gritando a plenos pulmões. Ouviu-se uma resposta rápida e abafada e, em seguida, o som de metal caindo no chão. Com barulho.
Uma adolescente furiosa, de cabelo espetado, saia curta e blusa recortada e salpicada de brilhos, entrou no saguão batendo o pé, os olhos faiscando, os brincos enormes tilintando como alarmes. Os homens fardados rapidamente abriram caminho. Ela foi até a mesa de trabalho, apanhou a bolsa estufada por estar cheia e dirigiu-se para a porta da frente.
Um homem alto, bonitão, fardado como chefe de polícia, entrou no saguão no exato momento em que ela chegou à porta. Ele tinha o cabelo e as roupas cheios de pó de café, restos de fita adesiva e dois Post-it, além de um lenço de papel em cima do sapato preto, grande e muito bem engraxado. Havia outro Post-it pendurado no rabo-de-cavalo.
— Será que eu falei alguma coisa? — Cash Grier pensou alto.
A adolescente, cujo batom era negro, igual ao esmalte das unhas, resmungou por entre os dentes e passou pela porta de vidro, batendo-a atrás de si.
Os guardas fardados tentaram, com esforço, não rir. Em muitos, aquilo soou como uma tosse reprimida. O homem que preenchia o formulário de queixa quase engasgou.
Cash encarou-os.
— Podem deixar. Podem rir. Arrumo outra secretária na hora que eu quiser!




Leia também
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Desafio

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Homens do Resgate

Ela pensava em uma boa causa. Ele, em uma boa conquista.

A missão de Amanda Barker era convencer Josh Marshall a posar para seu calendário.
Dono de um corpo perfeito e com reputação de conquistador, ele seria um sucesso de vendas.
Contudo, não estava sendo fácil persuadi-lo a participar do projeto beneficente... E ele não jogaria limpo! Como bombeiro, Josh conhecia muito bem o ditado "onde há fumaça, há fogo", e o jeito ousado de Amanda era indício de um incêndio incontrolável!
 Ela não aceitaria outra resposta além de "sim". Para sua surpresa, Josh resolve cooperar, desde que Amanda tope seu desafio...

Capítulo Um

Josh
Com grande interesse, Amanda Barker espreitou para dentro do vestiário. Ela já estivera no quartel do Corpo de Bombeiros várias vezes, perseguindo-o, mas nunca se aventurara naquela ala privativa.
Havia uma área separada para o chuveiro, adjacente ao vestiário, e o vapor que emanara do banho recente ainda se condensava logo abaixo do teto, tornando o ar úmido e espesso. Alguns dos boxes se encontravam abertos e vazios. Toalhas brancas descartadas pareciam se multiplicar sobre o chão, os bancos e a fileira de cadeiras de madeira envernizada. Amanda enrugou o nariz. A atmosfera do vestiário mesclava os odores de homens, fumaça, sabonete e suor.
À exceção da fumaça, os demais aromas não eram desagradáveis. Uma cópia emoldurada da Oração dos Bombeiros se encontrava pendurada, com discreta assimetria, na parede da outra extremidade, oposta à porta por onde Amanda entrara.
Próximo ao quadro, uma placa onde se lia o título “Sempre Amado, Nunca Esquecido”, relacionava os bombeiros da região, que haviam morrido a serviço da comunidade.
Amanda deixou escapar um suspiro trêmulo e se esgueirou mais para dentro. A oração lhe atraiu a atenção e, de repente, ela se descobriu parada em frente ao quadro, lendo as palavras que sabia de cor. “Capacita-me a estar alerta, a ouvir o mais frágil grito e extinguir o fogo com celeridade e eficiência.”
 Amanda passou os dedos sobre vidro que cobria as valentes palavras, retirando a umidade. Mas logo baixou a mão e se virou, perturbada, como sempre se sentia quando recordava.
Com uma disciplina extraída da autodeterminação, afastou os sentimentos de sempre e olhou ao redor.
O vestiário e os boxes adjacentes pareciam vazios, mas Amanda sabia que ele estava lá.
O vigia lhe passara a informação. Dera-lhe até mesmo permissão para entrar, com um sorriso estampado no rosto, disposto a conspirar com Amanda para conseguir que o tenente mais obstinado da corporação por fim concordasse em colaborar.
Nos alojamentos principais, às costas de Amanda, os bombeiros conversavam animados e riam durante a troca de turno. Aquele era um grupo de homens galanteadores, às vezes grosseiros, sempre viris e divertidos para compensar as responsabilidades inerentes àquele tipo de trabalho. Também se encontravam em ótima forma, esbeltos e musculosos, graças ao treinamento físico espartano que recebiam na corporação.
Todos eram belos espécimes masculinos e tinham perfeita noção disso. Com uma única exceção, mostraram-se dispostos e até mesmo ansiosos em ajudá-la com o calendário beneficente, posando para as fotos que estampariam cada mês do ano.
O dinheiro que arrecadassem com a venda do calendário seria revertido para o instituto de queimados local.
Amanda esperava que nenhum dos homens entrasse ali agora. Passara da hora de ela e Josh Marshall terem uma conversa decisiva. Desde o início do projeto, ele se recusara a participar. Evitara-a sempre que ela tentara abordá-lo e não retornara nenhuma de suas ligações.
Aquele homem era um cabeça-dura egoísta, o que ela pretendia lhe dizer com todas as letras, mas não queria plateia. Confrontos não eram o forte de Amanda. Na verdade, ela os evitava sempre que possível.
Mas Josh Marshall não lhe permitiria evitar aquele.
Por mais que detestasse admitir, precisava dele. Precisava que ele entendesse a importância do que ela esperava fazer e que concordasse em colaborar com seu novo projeto beneficente.
Era bem verdade que os homens da corporação tinham ótima aparência, mas a de Marshall excedia o ótimo. Era estonteante. Sexy. Picante. Ele seria o sr. Novembro perfeito e o modelo magistral para estampar a capa. 
Eles o utilizariam em propagandas nos jornais e livrarias locais, bem como na Web.
De uma forma ou de outra, Amanda pretendia conseguir a colaboração de Marshall naquele dia.
Um som abafado, como passadas de pés descalços no concreto molhado ecoou no vestiário. Amanda girou e lá estava ele, em toda a magnificência de seus mais de 1,80m.
 Despreocupado e descontraído, Josh se recostou ao batente da porta. Os cabelos loiros úmidos, os músculos molhados e os quadris envoltos em uma toalha exígua, também úmida, que mal conseguia lhe ocultar os atributos masculinos.
A água escorria em córregos preguiçosos pelo peito largo, o corpo escultural e os quadris retos, antes de ser absorvida pela toalha. Os braços e os tornozelos estavam cruzados. A posição forçara a toalha a entreabrir, expondo uma parte da coxa coberta de pelos e a pele que o sol não tocava, até o nó fundamental do tecido felpudo. Bastaria um leve puxão para remover a barreira que lhe cobria a masculinidade.


Série Homens do Resgate
1- Farsante
2- Paixão cega
3- Muito perto
5- Desafio ou Sr. Novembro 
Baixar em Séries



Feridas de Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Seus dias de solteiro estariam contados?

Ele era forte, encantador e seguia regras próprias. Ela era tímida, despretensiosa e inocente. 
Juntos, os vizinhos Jordan Powell e Libby Collins pareciam água e óleo. Mas quando Jordan assumiu a missão de ajudar Libby a manter a propriedade da família, todos na cidade sabiam que era questão de tempo até ouvirem os sinos da capela.
Jordan não consegue negar o sentimento que surge toda vez que tem Libby em seus braços. 
O orgulho, porém, o impede de se entregar. Libby será capaz de domar o coração deste cowboy?

Capítulo Um

Libby Collins não conseguia entender por que sua madrasta, Janet, estava falando com um corretor de imóveis sobre a casa. Seu pai havia morrido apenas algumas semanas atrás. O funeral ainda estava tão recente em sua mente, que não passava uma noite sem chorar. 
Seu irmão, Curt, estava igualmente desolado. Riddle Collins era um homem feliz, forte e inteligente, que nunca sofrera uma doença grave. Tampouco possuía histórico de problemas cardíacos. Logo, sua morte provocada por um infarto fulminante fora um verdadeiro choque. 
Na realidade, o vizinho mais próximo, o rancheiro Jordan Powell, considerara a sua morte suspeita. Embora, para Jordan, tudo parecesse suspeito. O homem acreditava que o governo estava produzindo soldados clonados em algum laboratório subterrâneo.
Libby correu a pequena mão pelo cabelo escuro e ondulado, enquanto seus olhos verdes varriam o horizonte à procura do irmão. Mas Curt com certeza estava ajudando nos partos do gado, daquele início de primavera, nas pastagens mais distantes, ao norte do rancho dos Powell. 
Era quase abril e as novilhas, de 2 anos de idade, mães pela primeira vez, começavam a parir seus bezerros na época certa. Havia pouca esperança de Curt aparecer antes de o corretor de imóveis partir.
Ao contornar a casa, Libby ouviu a voz do homem e se aproximou, tomando cuidado para não ser vista e poder se inteirar do que estava acontecendo. Seu pai amava aquele pequeno rancho e os filhos também. A propriedade pertencia à família há quase tanto tempo quanto o Bar P pertencia à família de Jordan.
— Vai demorar para encontrar um comprador? — perguntou Janet.
— Para ser sincero, não sei, senhora Collins — respondeu o homem. — Mas Jacobsville está progredindo. Há uma abundância de novas famílias à procura de imóveis a preços acessíveis. Creio que aqui caberia um loteamento perfeitamente e posso lhe garantir que qualquer incorporador imobiliário pagaria um bom dinheiro por estas terras.
Loteamento? Ela só podia estar ouvindo coisas!
Mas a declaração seguinte de Janet pôs fim a qualquer dúvida.
— Quero vendê-las o mais depressa possível — disse Janet categórica. — Já estou de posse do dinheiro do seguro. Assim que vender a propriedade, deixarei o país.
Outra revelação bombástica! Por que sua madrasta estava com tanta pressa? O homem que fora seu marido por nove meses havia acabado de morrer. Santo Deus!
— Farei o que estiver ao meu alcance, sra. Collins — assegurou o corretor. — Mas a senhora deve entender que o mercado imobiliário enfrenta uma crise no momento e não posso garantir uma venda tão rápida quanto eu gostaria.
— Está bem — disse Janet. — Mas me mantenha informada, por favor.
— Não se preocupe.
Libby saiu correndo, evitando ser vista. Seu coração batia acelerado. Estranhara a frieza que Janet vinha mostrando após a morte de seu pai, mas agora começara a fazer uma série de associações desagradáveis.
Permaneceu de pé nas sombras da varanda da frente, até ouvir o carro do corretor se afastar. Janet de imediato o seguiu em seu carro de luxo.
Sua mente girava. Precisava de ajuda. Por sorte, sabia exatamente aonde ir para obtê-la.



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- Renegado
- A Tentação do Desejo

A Tentação do Desejo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Blake Kemp era um homem bastante fiel aos seus princípios e tão teimoso quanto o dia é longo em Jacobsville, Texas.

Como principal advogado da cidade, ele tinha uma reputação a zelar e isso significava impedir que a doce e atenciosa Violet, sua assistente, fizesse mais do que o trabalho dela.
 Ela tinha de sair do caminho de Blake. Mesmo que precisasse muito dela.
Cansada de aturar os mandos e desmandos de seu chefe, Violet prefere pedir demissão e se afastar do homem que ama com todas as suas forças.
Mesmo com toda a teimosia, Blake é um homem inteligente, e logo percebe que Violet é sua estrela guia. Sem ela sua vida se transformaria em um eterno breu... E restava apenas uma coisa a ser feita: contratar Violet de novo e cuidar para que os negócios não se misturassem às questões do coração.
 Mas Violet tinha uma agenda própria, e isso incluía lembrar seu chefe do quanto ela era indispensável, tanto no trabalho quanto na vida dele!

Capítulo Um

Violet Hardy sentou-se na cadeira e se perguntou o porquê de ter aceitado aquele cargo de secretária. Seu chefe, Blake Kemp, de Jacobsville, Texas, definitivamente, não a apreciava. Ela havia apenas tentado evitar que ele morresse de um ataque cardíaco prematuro mudando seu café normal para descafeinado. Para seu desapontamento, ouviu os piores insultos do homem que amava. Sabia que suas colegas de trabalho estavam tão aborrecidas quanto ela. Tinham se mostrado gentis, mas nada compensava o fato de Blake achá-la gorda.
— Ele me acha gorda — disse Violet, infeliz.
— Ele não disse nada.
— Mas você sabe como ele me olhou e o que insinuou — murmurou Violet, olhando o hall. Mabel fez um muxoxo.
— Ele teve um péssimo dia.
— E eu também — contrapôs Violet. Libby Collins tentou consolá-la.
— Acalme-se, Violet — disse suave. — Espere al­guns dias e ele vai pedir desculpas, tenho certeza.
Violet não tinha tanta certeza. Na verdade, podia apostar que um pedido de desculpas era a última coisa em que ele pensava.
— Vamos ver — respondeu, voltando para a mesa. Mas não acreditou na possibilidade.
Ela afastou o cabelo escuro comprido. Os olhos azuis estavam marejados de lágrimas, por mais que tentasse esconder a mágoa. A situação era bem pior do que apenas uma insinuação de estar acima do peso. Tinha ouvido Mabel e Libby comentando que o interfone estava ligado quando Violet abri­ra o coração para as colegas de trabalho, depois do ataque de fúria de Kemp a respeito do café descafeinado que lhe serviram. Ela era apaixonada por ele. Ele tinha ouvido. Como poderia voltar a en­cará-lo?
Durante todo o dia ele saiu da sala para receber clientes, falar sobre os compromissos e pegar café. Sempre que entrava, olhava para Violet como se ela fosse responsável pelos sete pecados capitais. E ela começou a encolher-se ao ouvir os passos no hall.
Era uma terça-feira, e no final do dia ela decidiu que não podia mais continuar trabalhando naque­le escritório. Era muito humilhante. Teria que ir embora.
Libby e Mabel notaram sua pouca habitual for­malidade, agravada quando ela tirou uma folha da impressora, levantou-se, deu um longo suspiro e caminhou pelo hall em direção ao escritório do chefe.
Segundos depois, elas o ouviram:
— Que diabos...?
Violet surgiu caminhando a passos largos pelo hall, o rosto vermelho de irritação, seguida por um furioso Kemp, sem óculos, dois passos atrás, sacu­dindo a folha de papel.
— Você não pode me dar um aviso de um dia! — disse enfurecido. — Tenho casos pendentes. Você é responsável por fazer a triagem e notificar os peticionários...!
Ela o encarou furiosa.
— Toda a informação necessária está no compu­tador, junto com os números de telefone! Libby sabe como proceder. Ela ajudou-me a acompanhar os casos quando tirei licença para ficar com minha mãe quando ela teve derrame! Por favor, não finja estar interessado em quem digita ou faz as ligações porque eu sei que pouco lhe importa! Vou trabalhar para Duke Wright!
Ele estava com raiva, mas de repente ficou quieto.
— Vai trabalhar para o inimigo, não é, Srta. Hardy?
— O Sr. Wright é mais calmo que o senhor e não vai me destratar por causa de um café. Na verdade — disse audaciosa —, ele mesmo prepara o café!



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A Princesa e o Caubói

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



De sangue azul... e virgem?

Para evitar um casamento arranjado, a princesa Joséphene Francoeur teve de dizer "sim" quando o astro dos rodeios, Buck Buchanan, irrompeu em sua vida. 

E embora Josie mantivesse sua origem real em segredo, ela precisava de uma noite de núpcias real para ser considerada legalmente casada.
Mas o noivo tinha outros planos para a lua de-mel... e justamente quando Josie se dava conta de que estava apaixonada! 
Buck Buchanan também tinha um segredo e jurou não perturbar sua noiva virgem. Mas, a cada momento que se passava, tornava-se mais difícil resistir e manter distância da doce Josie...

Capítulo Um

— Preciso encontrar um marido! Ajude-me, por favor! — A princesa Joséphene Eugénie Béatrix Marguerite Isabeau Francoeur não escondeu o desespero e fechou a porta do aposento, onde se encontrava junto com a amiga americana Melissa Porter, Não queria deixar entrar a severa sra. Savoie.
A princesa visitava Melissa com frequência, na próspera fazenda nos arredores de Auburn, Califórnia. Ela gostava muito daquela residência de dois pavimentos, mas era no dormitório de Melissa que elas resolviam os problemas, fazia dez anos.
Virou-se e viu o espanto nos olhos verdes e arregalados da amiga ruiva.
— Marido? Josie, foi você quem veio até aqui para meu casamento, lembra-se? Minha dama de honra ficou maluca?
Josie. Melissa fora quem lhe dera esse apelido, quando ainda eram companheiras de quarto no aristocrático internato inglês. Gostou de ouvi-lo. Era como voltar para casa, embora seu lar estivesse muito longe. O diminuto país onde morava, uma pequena ilha chamada Principado de Montclaire, era pouco maior do que uma grande propriedade rural e ficava no Mediterrâneo, a cento e trinta e oito quilômetros da costa sul da França.
— Claro que não. — Josie sentou-se na cama king-size. — E ainda por cima, tem de ser rico de verdade, como um dos quinhentos da lista da revista Forbes. Temos de encontrá-lo antes que se case, Mel! Não posso voltar se ainda for solteira.
— Achar um milionário? Em cinco dias? Para uma princesa? Impossível! — Melissa jogou-se no leito. — Muito bem, pode falar. O que Bonifay fez agora?
Gilbert Bonifay era o primeiro-ministro de Montclaire. Um Richelieu em roupagens modernas.
— Encontrou uma lei antiga, redigida por Louis Fráncoeur. Parece que o filho do meu ancestral gostava mais de homens do que de mulheres. Com essa lei, o príncipe Louis obrigou o filho a casar-se, para assegurar herdeiros ao trono.
— Que lei é essa?
— Os herdeiros ao trono devem casar-se até os vinte e cinco anos.
— Céus, Josie, temos só três semanas! Por que Bonifay não contou isso antes?
— Acho que é para poder exercer um controle maior sobre mim. Ele vem dizendo que a economia de Montclaire está cada vez pior.
— Aposto que já tem até um marido escolhido para você, não é mesmo?
Josie pensou com amargura no futuro noivo.
— Acertou. É Alphonse Picquet, o quinto homem mais rico da França. Ele se orgulha de ter começado a vida em Marselha como arrimeur... Sabe o que é isso?
— Sei. Estivador. — Melissa franziu o nariz.
— E mais velho que meu pai, Melissa! — Josie agarrou a mão da amiga. — E vai acabar de arruinar Montclaire.
— Como assim?
—- Um dos pastores ouviu uma conversa dos asseclas de Picquet, ao norte da ilha. Eles se referiam à riqueza em mármore da região. Quando ele se tornar príncipe, com toda a certeza irá extraí-lo até a última lasca. Os observadores constataram que a ilha inteira é uma grande pedra. Em vinte anos, Montclaire tornar-se-á uma imensa cova.
— E com certeza Picquet fará a riqueza de Bonifay nesse negócio. Pesquisou para saber se existe mesmo essa lei, Josie?
— Está nos arquivos históricos, em um livro empoeirado com a data de 1437.
— Diga-me uma coisa: se a princesa de Montclaire está para se casar, por que a televisão e os jornais não noticiaram nada?
— Pedi a meu pai que convencesse Bonifay a não dizer nada até minha volta. Aleguei que seria indelicado roubar a atenção de seu casamento. — Josie sorriu com tristeza. Foi a única desculpa que me ocorreu.
Melissa meneou a cabeça.
— Você precisa mesmo de um marido, hein?

Desatino de amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

A paixão afastava Marielle de seu objetivo: destruir Cedric!

A brisa leve e perfumada tocava o corpo de Marielle. Ela abriu os olhos e sorriu vendo Cedric adormecido a seu lado, o braço repousando sobre seu ventre nu. Já anoitecia e San Diego era iluminada por milhares de luzes cintilantes, criando um cenário mágico. Mas a suavidade do momento foi perturbada pelo remorso. Marielle levantou-se num gesto brusco e começou a recolher as roupas. A paixão cedia lugar à raiva, ao arrependimento.
"Volte Marielle! Esqueça Deirdre!", Cedric pedia ao vê-la partir.
Esquecer... Esse pedido era impossível. Enquanto perdiam-se no amor, sua melhor amiga esperava por ele!

Capítulo Um


Com um movimento rápido, Marielle acionou a partida do Porsche amarelo. Fez a manobra e respirou aliviada ao descer a rampa do estacionamento, ganhando o asfalto molhado de chuva. 
Não tivera um dia fácil. Aliás, nada havia dado certo naquele dia. Sucessivamente, colecionara uma série de desastres; a come­çar pelo sistema de filtragem da piscina aquecida que tinha arrebentado de repente. 
O técnico prometera o conserto para o meio-dia, porém por algum motivo não havia aparecido.
Se ele soubesse quantos transtornos e reclamações poderia ter evi­tado para ela, com certeza não teria faltado. Mas não havia sido só isso: o armário da Sra. Stuart fora roubado, provavelmente durante a noite... Era difícil acreditar que um estranho tivesse entrado na aca­demia. 
Afinal, ela mesma havia checado as fechaduras e cadea­dos. Isso levava à conclusão de que o guarda não merecia con­fiança. Bem que andava desconfiada! Amanhã o dispensaria.
Àquela altura, às onze horas de uma noite chuvosa de março, ela só pensava em tomar um banho de imersão com sais aromá­ticos e afundar na cama. Não era fácil dirigir o próprio negócio! 
Precisava solucionar todos os problemas: pagar os salários, substituir professores ausentes, ouvir reclamações, cuidar dos livros contábeis e, ainda por cima, manter sempre um sorriso amável para agradar os clientes.
Porém, todo aquele esforço compensava a liberdade, a inde­pendência e a chance de traçar o próprio caminho, sem se submeter à vontade de patrões. E esse carro... era a realização de um sonho, o que de mais gratificante seu trabalho havia lhe proporcionado. 
Durante anos desejara ter um Porsche. E agora finalmente o conseguira. Era seu, comprado com o suor do trabalho. Cada centavo havia saído de suas aulas de ginástica, da sua dança, da academia montada com tanto sacrifício e dedicação. 
Num impulso, Marielle decidiu ir para casa por um caminho diferente; longo, todavia mais bonito. Para que seguir a rotina, mantendo-se na mesma avenida? Era uma boa ideia pegar as ruelas que cortavam o bairro elegante de Coronado. Sem hesitar, virou à direita, deixando para trás a larga auto­pista.
Ligou o rádio e desceu o vidro do carro, deixando que o vento frio da noite brincasse com seus cabelos. Desde pequena, gostava de passear depois da chuva. 
Tudo parecia diferente. O ar se tornava perfumado. As folhas, o as­falto e os carros molhados brilhavam. A chuva parecia revigorar a natureza e ela se sentia muito mais disposta. Mas, decididamente, hoje não era o seu dia de sorte. Acabava de atravessar a ponte da baía Coronado, quando distinguiu luzes vermelhas e azuis piscando à frente. Não havia dúvida. 

Coração Selvagem

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Nada era de verdade... apenas seu coração descompassado...

Como tutor de Cassie Warrington, Blake Campbell devia salvá-la de muitos perigos e de decisões precipitadas a respeito do futuro.
O famoso homem de negócios faria qualquer coisa para preservar a inocência de sua protegida...
Assim, quando Cassie anunciou que estaria disposta a desposar o primeiro pretendente que aparecesse, Blake não teve outra alternativa senão apresentar-se como candidato...
Esta seria a única maneira de evitar que Cassie cometesse uma tolice... e de esperar que ela algum dia tomasse consciência de quanto estava sendo imprudente.
Mas uma cerimônia de casamento pedia um beijo, no final... e foi exatamente nesse momento que Blake, ao fitar Cassie nos olhos, compreendeu que estava numa sutil enrascada!

Capítulo Um

— Acho que já é tempo de me tornar mulher... de perder minha virgindade — disse Cassie.
Blake Campbell empalideceu. De todas as surpresas que tivera naquele dia, essa era a mais absurda. Fazendo um intenso esforço para não demonstrar o quanto estava chocado, ele tentou raciocinar rápido. Não que não soubesse o que dizer. Ao contrário, tinha uma resposta na ponta da língua.
Mas já fazia três anos que fora nomeado tutor de Cassie Warrington. E, com isso, aprendera várias lições, como por exemplo não argumentar de maneira radical com ela. Afinal, Cassie era persistente e teimosa. Bastava que alguém discordasse de seus pontos de vista para que ela se tornasse intransigente e irredutível em suas opiniões.
Quantas vezes ele já discutira com Cassie, até por assuntos corriqueiros. O resultado era sempre o mesmo: quanto mais ele insistia num ponto, mais Cassie se tornava obstinada.
Entretanto, quando conseguia contemporizar, ambos chegavam a um acordo. E era exatamente isso que ele precisava fazer naquele momento... Ainda que estivesse atônito.
"Ou será que estou fazendo uma tempestade em copo de água?", ele se perguntou.
Afinal, talvez Cassie não estivesse falando sério. Talvez quisesse apenas gracejar... Ou provocá-lo.
De qualquer modo, era melhor certificar-se de suas verdadeiras intenções, Blake decidiu, observando-a com atenção. Cassie tinha uma expressão altiva, determinada. E isso significava perigo.
Seus cabelos lisos caíam-lhe abaixo dos ombros como uma reluzente cascata cor de ébano. Os olhos, azuis como o céu daquela primavera, demonstravam firmeza, e tinham um quê de desafio. O rosto de traços delicados parecia mais corado do que de costume. Os lábios sensuais estavam um tanto contraídos, o nariz levemente arrebitado... Tudo isso era sinal de que Cassie não estava nada disposta a abrir mão do que acabara de dizer.
E como a confirmar essa constatação, ela prosseguiu:
— Vou completar vinte e um anos no próximo mês. Isso significa que serei adulta e emancipada, para cuidar de minha própria vida, sem interferência de ninguém.
A ênfase com que Cassie pronunciou a última palavra da frase não deixava dúvidas do que ela queria dizer...
"Está se referindo a mim", Blake concluiu, engolindo em seco. "Está protestando contra os conselhos e orientação que eu, como seu tutor, tenho todo o direito de dar. Aliás, não apenas o direito, mas também o dever."
Usando jeans, tênis e uma camiseta azul-turquesa, estilo regata, Cassie não demonstrava os vinte anos que possuía. Parecia ainda uma adolescente, sobretudo porque possuía duas características próprias dessa fase da vida: era bela, vibrante e... rebelde. Terrivelmente rebelde.
Blake suspirou. Fazia algum tempo que já não conseguia ver Cassie apenas como uma irmã mais jovem que necessitava de carinho, atenção e, ocasionalmente, alguns puxões de orelha.
 Ao contrário do que lhe ordenava a sensatez, muitas vezes flagrava-se olhando Cassie como... 

Noivo Temporário

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Cassandra precisava de um herói. 

Um cavaleiro medieval numa armadura reluzente serviria. 
Alguém atraente, charmoso, bem-sucedido... e disposto a fingir ser seu noivo apenas por uma noite. 
Assim, sua adorável, porém intrometida família, deixaria de uma vez por todas de interferir em sua vida perfeitamente feliz, embora pouco convencional. 
Ela conseguiu um herói que usava um impecável terno da moda...
Troy McKnight era a espécie de jovem executivo que sua família adorava...e que uma pessoa como Cassandra detestava. 
Normalmente. Mas, de alguma maneira, aquele encantador noivo temporário a fez pensar em ter um marido... para sempre!

Capítulo Um

— Você seria meu noivo?
Troy McKnight encarou a mulher que lhe fizera a pergunta. Tinha cristais pendendo de uma gargantilha, brincos de prata e usava um vestido florido.
Parecia deslocada na San Francisco ligada à moda. Seus grandes olhos azuis e rosto em formato de coração eram atraentes de um modo quase infantil.
Sardas ornavam seu nariz, e não se notava nenhum sinal de maquiagem. Não era bem o tipo de noiva que ele esperava encontrar um dia.
Nada sabia a seu respeito, nem mesmo o nome. A garota aparecera, dissera "olá" e fizera a pergunta. Uma indagação que Troy mal ouvira devido ao barulho, no bar lotado.
Desconhecia se a moça falara sério ou se ele bebera muita cerveja. Apenas lembrava-se de ter pedido uma, aquela que ainda preenchia metade de seu copo.
— Desculpe-me, mas o que disse?
Ela suspirou e afastou os cabelos loiros para trás dos ombros.
— Você seria meu noivo? Apenas por esta noite, é claro.
Falou com tanta tranquilidade que a proposta soou quase lógica. Pelo menos Troy soube que não era culpa da cerveja, ouvira certo da primeira vez.
Troy tomou um longo gole do líquido gelado e o sentiu descer devagar. Após um dia difícil no escritório, queria apenas beber um pouco e ter outra noite tranquila em casa, nada mais.
Aquela jovem, afinal, podia ser uma vigarista, um diabo disfarçado; e ele, o alvo. Até mesmo sem batom os lábios cheios eram voluptuosos e capazes de seduzir uma presa desconhecida.
Troy pousou o copo na mesa do bar.
— Por que precisa de um noivo para esta noite.
— E uma longa história.
Cassandra Daniels estendeu a mão e pegou a de Troy. Afastou a manga do terno e consultou as horas no relógio de luxo. O perfume floral invadiu os sentidos dele e suplantou o cheiro de fumaça reinante.
— Não tenho tempo para dar muitas explicações. Estou em dificuldades com minha família. Será apenas um jantar. Meu pai pagará. Não irá lhe custar um tostão sequer.
Troy hesitou, incerto se aceitava ou não a justificativa.
— E então, será ou não meu noivo? — Sorriu, de leve. — Detesto ser impaciente, mas, caso diga "não", terei de achar outra pessoa.
Deu uma olhada ao redor como se estivesse procurando a próxima vítima. No ambiente lotado, com facilidade encontraria outra pessoa.
Homens com mangas enroladas para cima e gravatas afrouxadas estavam em pé, bem perto, relaxando após longas horas no escritório.
Lisonjeado por ela o ter escolhido dentre tantos outros, Troy sentiu seu ego inflar. Seria ele sua primeira opção? Não sabia, e ficou imaginando o motivo de o pensamento o aborrecer.
Não sabia por que chegava a considerar a proposta de ser noivo de uma estranha. Cassandra aparecera do nada, embora ele não pudesse negar sua curiosidade sobre a estranha proposta que lhe fora feita.
A preocupação e o senso de urgência naquele olhar pareciam verdadeiros, mas Troy não era dado a arriscar-se. Espontaneidade não integrava seu plano de vida.
Cassandra o encarou no aguardo de uma resposta, tamborilando os dedos. Era improvável que fosse uma vigarista. Parecia uma criança amorosa e inocente com aquele brilho de vulnerabilidade no olhar.
Em um local como aquele, onde os hormônios masculinos pululavam, acabaria encontrando outro alguém. Pelo menos estaria segura com ele...

A Um Passo das Estrelas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO






Se odiavam quando próximos, se amavam na distância.

Só um grande amor poderia superar as diferenças que os separavam.
Inquieta, Jenna rolava na cama, sem conseguir conciliar o sono. Seu corpo ardia de desejo e ela ansiava por aceitar a proposta de casamento que Harrison lhe fizera. 
Em apenas uma semana de amor intenso, ele lhe proporcionara as maiores e mais maravilhosas emoções da sua vida. Mas Jenna não podia deixar aquele amor dominá-la. 
Nos momentos de paixão, nada parecia separá-los, contudo a realidade os colocava em mundos opostos. Harrison vivia entre os arranha-céus de Nova York, era um magnata das finanças, sofisticado e elegante; ela era uma amazona, campeã de rodeios, uma mulher simples e forte, acostumada a viver a céu aberto entre cavalos e cowboys. 
Em pouco tempo, os pequenos atritos de agora transformariam em ódio o amor que os unia, e eles deixariam de ser amantes para se tornarem inimigos.

Capítulo Um

— Molly não vai conosco, Cody — Jenna Morgan declarou, colocando um prato de bacon e ovos diante do filho. Seu tom de voz indicava que aquela era uma decisão definitiva.
— Ora, mamãe, por que não?
— Em primeiro lugar, eu mal conheço essa menina e, pelo pouco que soube dela, não fiquei com uma impressão muito agradável. Além disso, você vai a Cheyenne montar cavalos, e não namorar.
Jenna pegou outro prato de bacon e ovos e empurrou-o pela mesa, desta vez em direção a seu pai.
— Sua mãe tem uma certa razão, Cody — Hank Foster opinou. — Não pode deixar que uma garota o atrapalhe agora. Você precisa se concentrar nos cavalos.
— Ela não vai me atrapalhar, vovô — Cody insistiu. — Molly sabe como o rodeio é importante para mim. E quero que ela esteja a meu lado quando eu for cavalgar.
Jenna sentiu um aperto no coração ao perceber a seriedade do filho. Cody sempre tivera namoradas, mas não era próprio dele querer que alguma menina o acompanhasse aos rodeios. Aquelas eram ocasiões em que gostava de estar com outros rapazes de sua idade. Ele nunca se preocupara em ter uma garota "a seu lado", mas também nunca fora perseguido com tanta insistência por alguém como Molly Drake, uma menina rica e mimada, habituada a conseguir o que queria dos homens.
Fazia seis semanas que Molly chegara à pequena cidade de Red Lodge, em Montana, e desde então vinha causando alvoroço entre a juventude local com suas roupas da moda e gírias de cidade grande. Usara todos os seus recursos femininos para chamar a atenção de Cody, e Jenna observara o filho sucumbir lentamente aos encantos da menina de Nova York. Tentara desencorajar o relacionamento entre os dois garotos, mas relutara em demonstrar muito ostensivamente sua reprovação, com receios de que isso a afastasse de Cody.
Porém, aquela viagem a Cheyenne não era um passeio turístico e sim um compromisso sério, e Jenna faria o que fosse possível para que Molly não interferisse no assunto. O Rodeio Frontier Days era um dos que ofereciam os melhores prêmios no país. 
Se Cody conseguisse vencer, não apenas colocaria seu nome em destaque como também aumentaria bastante a poupança que garantiria seus estudos universitários. Jenna sabia que, apesar da aparência extrovertida e despreocupada, Cody era, no fundo, sensível como o pai. Não seria bom para ele entusiasmar-se por uma garota de cidade grande que deixaria Montana no fim do verão para retornar à companhia dos amigos ricos em Nova York.
— Cody, nós nos inscrevemos nesse rodeio há quase um ano. Formamos uma equipe: eu, você, J. T. e Tracey. Sempre foi assim: nós quatro juntos seguindo pelas estradas. Mal temos espaço para nós dois no trailer. Onde essa menina vai dormir?


Magnata sedutor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Ele precisava encontrar a aliança de rubis!

Angelina não pensara mais em casamento, até encontrar um solteiro mais que cobiçado. 
John Rossi era magnífico, sofisticado, rico e estava apenas de passagem pela cidade. O que deixava o enigmático milionário fora de qualquer cogitação.
John queria completar a vingança de sua família contra os Covelli, mantendo em segredo sua verdadeira identidade. 
A doce Angelina era inocente, sedutora e absolutamente irresistível. Mas envolver-se não fazia parte dos planos dele. John jamais comprometeria sua missão casando-se com uma inimiga! Tudo que queria era reaver a aliança de rubis.

Capítulo Um

Angelina Covelli subiu os degraus de concreto do hotel histórico, pensando em seu futuro, e passou pela placa familiar de bronze, onde se lia: "Grande Hotel Haven - 1898". Havia trinta anos, a velha construção de pedra tinha sido um ponto de referência em Haven Springs.
Em pé, ao lado das portas de carvalho descoradas pela exposição ao tempo, Angelina passou os dedos pelas almofadas das janelas com as iniciais GH nos vidros foscos. Suspirou para tomar coragem e entrou. Depois de acostumar-se à penumbra do hall, relanceou um olhar ao redor. A poeira e as teias de aranhas cobriam quase tudo, o cheiro de mofo era insuportável.
Sorriu, deu uma volta completa na ponta dos pés e avaliou o local.
— Incrível! — ela disse, e escutou o eco de sua voz.
Tinha visitado o hotel apenas uma vez, com seus irmãos, sem tempo suficiente para apreciar tudo. Esperava conhecer o lugar nos meses vindouros, se a Covelli & Filhos ganhasse a licitação para ã reforma. Sua alegria aumentou. A memória de seu pai fora reabilitada, e os negócios da família entrariam de novo em estabilidade financeira.
Chegariam ao fim as dificuldades dos últimos dois anos, em que trabalhara como gerente de escritório da empresa de construção dos Covelli. Enfim, poderia seguir a própria vida e conseguir um emprego de seu agrado que lhe traria a independência. O primeiro passo era encontrar o homem que lhe daria a oportunidade.
— Há alguém aqui? — Angelina gritou, ao aproximar-se de uma escrivaninha de carvalho escuro entalhado, com tampo de mármore.
"Onde ele estará?", ela pensou.
O assistente de John Rossi lhe informara que o chefe deveria chegar naquele dia. O encontro iria se realizar na tarde seguinte, mas Angelina não queria perder a chance de falar com o principal executivo da empresa antes dos outros empreiteiros. Pretendia impressionar e... conseguir um cargo.
Caminhou pelo piso de mármore encardido, tomando cuidado para não prender os saltos nos vãos quebrados. Admirou-se com os lustres de lágrimas de cristal que pendiam do teto alto, formavam um caminho elegante através do grande hall e terminavam na ampla escadaria que se alargava até o balcão do segundo andar.
Subiu pelos degraus cobertos por um carpete que outrora devia ter sido escarlate. Uma vergonha não haverem conservado um edifício tão lindo. Acariciou a balaustrada de latão com um dedo e fez uma listra na poeira, até em cima, imaginando como seria estar ali como hóspede, nos áureos tempos do estabelecimento.
Nonna Vitória contava-lhe histórias sobre os bailes da sociedade que aconteciam nos grandes salões superiores. De todos os lugares vinham mulheres trajadas com luxuosos vestidos de cetim e homens de smoking.
Angelina não ia a uma reunião dançante desde sua formatura. Sorriu. Naquela ocasião, seu irmão prometera quebrar o braço de Justin Hinshaw, se ele não se comportasse. Não era para admirar que os pretendentes não se aproximassem dela.
Angelina se afastara de todos, depois de perder o rapaz mais maravilhoso do colégio. Apaixonara-se por ele desde o momento em que o conhecera. Eles deviam ser destinados a ficar juntos... para sempre. Porém, sua vida desmoronou quando o moço morreu, e Angelina passou a concentrar-se apenas na carreira.
Afastou as recordações melancólicas, virou-se e iniciou a volta. Imaginou-se num traje longo, com belo homem a sua espera na frente da escadaria majestosa.
Percebeu um movimento na lateral. Virou a cabeça e notou um vulto parado nas sombras.
Assustou-se, intrigada. O estranho era alto, tinha cabelos negros e olhar penetrante. Vestia jeans desbotado, camisa de algodão e botas de trabalho.
Desculpe-me. Achei que não houvesse alguém aqui.
O que você quer? — Ele se aproximou do degrau inferior.
— Tenho um encontro — Angelina mentiu. — Com o sr. Rossi. E você, quem é?
John Rossi encarou a linda mulher, que se movia com elegância. Era curvilínea e de baixa estatura. Vestia um blazer cinza-chumbo e saia quase reta.
— Podermos dizer que trabalho aqui. — John observava as pernas esbeltas.
— Ah, está deixando as coisas prontas para a chegada do sr. Rossi?
John, ao erguer a cabeça, deparou com duas contas da cor do céu, que brilhavam no rosto de Angelina.
— Na verdade, sou...

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Um Presente Inesquecível

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Depois de um ano difícil, as luzes de Manhattan ficam ainda mais irresistíveis para a britânica Carrie McKenzie.

Contudo, por mais que tentasse, não conseguia tirar um sorriso sequer de seu atraente vizinho... Até um bebê ser abandonado à sua porta! 
O policial Dan Cooper tem a obrigação de proteger os indefesos. E com Carrie passando por uma situação tão inusitada, ele sabe que precisa ajudá-la. 
Porém, Carrie logo se transforma em uma deliciosa distração. Não apenas por sua beleza, mas também pela dor que transparece quando olha para a criança.

Capítulo Um

O vagão de metrô chegou sacolejando à estação, as portas se abriram e Carrie foi levada da plataforma junto com a multidão, mal erguendo a cabeça de dentro do casaco fino demais. Ele parecia muito melhor na internet. Parecia mesmo.
Ela resistiu à tentação de se aninhar no corpo à frente, conforme o vagão ficava mais apinhado do que o normal. Todos os trens da cidade estavam parados por causa da neve. As ruas lotadas e cinzentas e ficaram brancas, com poucas formas vagamente reconhecíveis, em questão de horas.
Uma tempestade de gelo sem precedentes, informou a mídia.
Em Outubro.
No meio de Nova York.
Os repórteres dos noticiários estavam fazendo uma festa — bem, aqueles sortudos o bastante para estar em um estúdio. Os que se encontravam na rua? Nem tanto.
E Carrie entendia por quê. Seu casaco de inverno só chegaria dali duas semanas. Ela poderia morrer até lá. Seus dedos haviam perdido a cor e a sensibilidade havia dez minutos. Ainda bem que não estava com o nariz escorrendo, pois naquela temperatura ele com certeza congelaria.
— Alguns ônibus pararam de circular — murmurou uma mulher ao lado. — Vou ter de fazer três baldeações para chegar em casa esta noite.
Um arrepio involuntário percorreu o corpo dela. Por favor, que o trem chegue até o fim da linha. O trem não trafegava no subsolo durante todo o trajeto, e, quando ele emergiu, ela pôde ver os grandes flocos de neve caindo.
Um ano em Nova York parecera uma ideia maravilhosa na época. Mágica, até. Uma chance de fugir de seu annus horribilis.Uma chance de escapar de todos que ela conhecia, de sua história e de seus demônios.
A única coisa que ela trouxe foi seu currículo exemplar. Na névoa negra que pairou sobre o ano anterior de Carrie, ele foi seu único trunfo.
Ela deveria ter percebido, quando seu chefe a chamou à sua sala e pediu para que ela se sentasse. O sorriso dele era meio simpático e meio mordaz. Ele limpou a garganta:
— Carrie, precisamos de alguém para representar o escritório em Nova York e encabeçar a equipe no projeto do próximo ano. Entendo que este ano foi difícil, mas você é minha primeira escolha para essa tarefa. Claro, parece ser bastante coisa, e o momento pode não ser bom...
A sugestão na voz dele era clara. Dois estagiários já estavam a postos para passá-la para trás pela vaga.
Ela mordeu o lábio inferior.
— Não. O momento é perfeito. Um novo lugar é tudo de que preciso. Um novo desafio. Uma chance para passar um tempo fora.
Ele assentiu e estendeu a mão.
— Parabéns. Não se preocupe com nada. A firma tem um apartamento no Greenwich Village, em Manhattan. É uma área boa e segura, bastante acessível. Você vai gostar de lá.
Ela assentiu de forma mecânica, tentando não lamber os lábios subitamente secos.
— Quanto tempo tenho até a mudança?